segunda-feira, 15 de junho de 2009

O MENINO DE OUTRO PLANETA

História de ficção – O menino de outro planeta


Um certo dia, numa cidade do sul do Brasil, enquanto todos dormiam, um disco voador veio sondar aquele lugar pacato. Deixou ali um menino aparentemente normal. Ninguém dali suspeitava a verdadeira origem daquele garoto desconhecido.
Um menino esperto, logo conquistou a simpatia de todos os moradores.
Um casal sem filhos, se interessou na adoção, dando-lhe tudo que gostariam de dar ao filho que nunca puderam ter.
Deu a ele o nome de Aparecido, pois havia aparecido misteriosamente naquele lugar. Após especulações, receberam do juiz a guarda do menor.
Aparecido, logo se adaptou a nova família e sentia-se feliz ao lado dos pais adotivos, mas sempre deixava escapar coisas estranhas, deixando todos sem compreender. Ele dizia que era de outro planeta e que estava ali de passagem. Todos o admiravam pela esperteza e criatividade, embora estranhavam tudo aquilo e o consideravam um tanto esquisito.
Foi matriculado numa escola da cidade, mas lá ele não tinha nada a aprender e sim ensinar coisas fantásticas do seu mundo. Segundo ele, lá a tecnologia era super avançada, seu povo sabiam usar o progresso sem afrontar as leis da natureza. Todo aprendizado adquiriam de forma espontânea e natural em comunhão com todos seres vivos. Todos fascinado com tantos conhecimentos sobre o universo, chegaram a conclusão de que estavam diante um pequeno sábio.
Aparecido era falante e tinha firmeza em cada palavra que saia de sua boca. Um pequeno gênio que tinha como objetivo, passar normas e ensinamentos. Falava publicamente que, no seu planeta, as pessoas ao nascerem, recebiam normas de vida e já ocupavam seu espaço perante a sociedade, sem competições pois havia lugares dignos pra todos. Os conhecimentos iam surgindo de uma forma espetacular, sem escolas e sem professores, pois a escola era o próprio mundo em que viviam e os professores eram todos os habitantes, dos mais velhos para os mais novos, passavam-lhes por vivência e dedicação a arte de ensinar. Contribuíam com a evolução, naturalmente, sem obrigações, obedecendo a lei do amor.
Aquela pequena cidade, tão monótona, transformou-se num centro das atenções. A notícia do menino de outro planeta, logo espalhou-se pelas grandes cidades. Surgiram curiosos de toda a parte, para explorarem aquele ser diferenciado. Estudiosos entraram em ação, diante tal mistério, buscavam em suas pesquisas científicas, alguma explicação ao novo fenômeno que estavam tirando-lhes o sono. Médicos e religiosos da capital foram solicitados, para tentarem desvendar o tal mistério daquela criança, que embora, inofensiva, estava causando polêmica e crescia a preocupação, no Brasil e no mundo.
Aparecido foi crescendo, crescendo, tornou-se adulto e a cada dia era mais explorado. Não tinha tranquilidade. Virou atração pública, sua privacidade invadida, sentiu-se perdido numa multidão sem espaço para sorrir e cantar, passear pelos campos e ruas sem ser percebido. Pessoas que iam e vinham sem se importarem com a pobreza daquele lugar. Rios e matas sendo explorados pelas mãos do homem, a natureza sendo violada com crueldade. Crianças e velhos sendo abandonados e a violência crescendo por toda a parte.
Tudo aquilo deixava-o triste, veio a depressão, mal que aflige a humanidade. Sua sabedoria tornou-se pequena diante tantos fatos tristes. A falta de amor era gritante e a corrida desfreada atrás do ouro, o poder falava mais alto, a falta de ética impedia o crescimento.
Aquele mundo a ele não pertencia, havia tanta desigualdade de poder, tanta pobreza, enquanto a uma minoria nadavam no dinheiro, egoísmo e o desamor. Para haver mudanças é necessário mudar a mentalidade humana, plantar o amor nos corações, como uma sementinha que brotará e dará muitos frutos, com humildade e perseverança e o desejo de construir um mundo melhor e ideal pra todos os seres vivos.
Aparecido resolveu ir buscar forças, mais ferramentas e solicitar ajuda. Uma andorinha só não faz verão, e assim desapareceu. Foi pra seu mundo, seu planeta, seu povo, sua verdadeira identidade permaneceu desconhecida, deixando saudades.
A pergunta ficou no ar: será que o Aparecido voltará um dia? Não devemos perder a esperança e a capacidade de sonharmos, num mundo ideal, como no filme de Alladin.