Com o passar dos anos, percebemos nitidamente como tudo na vida passa. Será que isso é uma característica de velho? Na prática sabemos que de fato acontece assim mesmo, num vai e vem de acontecimentos, nos dias e nas noites, da semana, do mês ou mesmo do ano, mas passamos a observar cuidadosamente, como se não quiséssemos perder nenhum detalhe, uma cena se quer, para compreendermos melhor o desenrolar de cada capítulo.Estou certa de que, a vida passa num piscar de olhos. Tudo passa tão rápido, parece até uma corrida desenfreada, uma competição de sei lá o que, para chegarmos não sei onde.
Sempre fui muito observadora. Quando criança sempre ouvia pessoas contarem piadas sobre velhos. Numa delas, uma velha bem feia, se dizia ter sido uma jovem bem bonita, uma uva e o contador de piadas dizia: “ Eu já vi lagarta virar borboleta, rato virar morcego, mas, abacaxi virar uma uva !?!…” Passava horas e horas pensando nessa situação, bem verdade que era uma piada, mas aquilo me deixava triste, sentia pena da velhinha e me colocava como defensora daquela senhorinha. Ela diz a verdade, faz parte do ciclo da vida, todos nós nascemos, crescemos e envelhecemos.
Parece que foi ontem, meus filhos pequenos e o corre-corre diário, escolas, médicos, trabalho, casa e tudo mais. Caramba, só parece viu? Se passaram anos e anos e hoje os meus filhos são adultos e já tenho netos. Isso mesmo, Julia, Bryan e Sophia por enquanto.
Passa tempo, não é de fato, passa tempo e sim o passar do tempo, vá em frente, não se importe com os questionamentos, gente que se assusta com o ponteiro que não para e gira velozmente, para acabar mais rápido e começar tudo de novo.
Relembro de tantas passagens, momentos bonitos e verdadeiros, coisas que ficaram lá atrás, deixando um aperto no peito de tanta saudade.
Minha cartilha colorida, lições aprendidas e gravadas, carrego comigo até hoje como um hino de vitória. Vejam que bonitinho: Upa, upa cavalinho, donde foi que você veio, foi de perto ou de longe, você gostou do passeio? .... Eu sei ler, eu ser ler corretamente, faço conta de somar, sou batuta em dividir, gosto de multiplicar, quando a professora escreve no quadro negro da escola, eu leio até de olhos fechados. Bom demais relembrar.
Hoje chega de correria, não sou mais jovenzinha, estou entrando na chamada melhor idade. Melhor não diria, mas tudo bem, segundo o Professor Erasmo d‘Almeida Magalhães, finge-se.
Estou aqui firme forte, aposentada e feliz, acreditando na grandeza do amor, com muita fé no Altíssimo, Nosso Deus, sonhando com um mundo bem melhor, onde haja políticos sérios e honestos, crianças brincando felizes, jovens conquistando espaços, velhos cada vez mais respeitados. Viverei cultivando essa esperança em meu coração, até o fim dos meus dias.