segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

RELATOS À MINHA NETA JÚLIA



RELATOS À MINHA NETA JÚLIA
Hoje eu quero gritar, para mundo inteiro ouvir, que sou a avó mais feliz deste planeta, que o som se propague por todos os cantos como uma melodia suave de ninar, para ti, nessa pequena homenagem.
Guardo aqui, bem dentro do meu peito, esse amor tão imenso. O teu nascimento veio como um raio de luz que chegou para brilhar, que resplandeceu transformando o meu mundo mais imenso e colorido com todas as cores do arco-íris.
Não conheci meus avós, eles morreram bem antes do meu nascimento. Sempre os tive em meu coração e os amei sem tê-los conhecido. Talvez por isso que eu queira celebrar esse momento de minha vida, sem perder um só instante, com a mais pura alegria. Uma dádiva vinda do céu.
Isso se chama AMOR, sentimento que abre portas e janelas, que vem do sul e do norte na mesma direção, unidos pela razão e o coração, numa entrega verdadeira entre sorrisos e lágrimas ao bem querer.
Com os meus filhos descobri a beleza da maternidade. Nunca mais fui o mesmo ser de antes. Sou mãe, graças a Deus e agora sou também avó, isso é simplesmente maravilhoso.
Nasci e fui criada num lugarzinho do interior da Bahia, que se chama Jequitibá. Fundação Divina Pastora dirigida por padres, sendo a maioria estrangeiros vindos da Áustria e Alemanha. Quando criança, tive o privilégio de participar das festas de 11 de outubro, festa da padroeira. Que festa linda! Nunca vi nada igual. Tantos padres e o Dom Abade juntos celebrando missas. 20 de agosto também tínhamos outra festa, dia de São Bernardo.
Quem naquela região não conheceu ou já ouviu falar do Senhor Miguel? Meu pai, meu herói, homem forte, decidido e de um carisma fora de sério. Ele veio ao mundo pra brilhar como pessoa, conquistou seu espaço naquela terra e principalmente nos corações daquela gente.
O maior desejo do meu pai era ter uma filha mulher. Meu nascimento tornou-se um fato histórico. Ele fazia questão de contar cada detalhe ocorrido. Meus pais tiveram 10 filhos, sou a penúltima no meio de tantos irmãos. Segundo ele, já cansado de esperar uma menina, resolveu fazer uma espécie de promessa. Quando a minha mãe descobriu que estava grávida, o meu pai resolveu fazer dois enxovais, ele que sempre cuidou de tudo, com muita dedicação e carinho. Um bem ralé e o outro sofisticado. Se fosse menino iria usar o enxoval simples e se fosse menina, além de fazer uma festa, iria usar o enxoval digno de uma princesa. Não foram uma nem duas vezes que ouvi o meu pai contar essa história, sempre com uma emoção que dava gosto ouvir.
Minha linda, fui cercada de um amor tão grande que passei a enxergar tudo com os olhos do coração. Aprendi desde muito cedo a ver tudo pelo lado cor de rosa, muita magia e encanto capaz de ficar horas contemplando a natureza e observando o vai e vem das formiguinhas, os pássaros pulando de galho em galho e as nuvens formando muitas caras. Estranho não?
São lembranças doces que carrego comigo e que me fazem chorar de uma tamanha emoção que chega a doer no coração. É muito bom reviver esses momentos e sentir-se renovada pra prosseguir os caminhos da vida.
Tudo isso faz parte da minha história de vida, um tesouro que levarei comigo para sempre, que tenho a honra de compartilhar com todos, com humildade.
Houve momentos de minha vida que me senti como um peixe fora d´água, um ser em extinção, sem chão ao deparar com situações onde a falta de amor era gritante, mas busquei forças no Meu Senhor Deus, Pai onipotente, misericordioso e cheio de graças para poder levantar-se sempre dos tropeços e quedas e manter-se de pé.
O meu pai sempre foi um contador de histórias, cada uma mais interessante do que a outra e assim crescia cada vez mais a minha admiração por ele.
Hoje estou aqui, para mostrar-lhe um pouco desse mundo mágico ao qual tive o privilégio de participar e saborear das delícias de ser amada da forma mais linda que há.
Meu mundo colorido, cheio de beleza, onde não existia morada para a tristeza, tudo era motivo para festa e brincávamos sem medo do perigo, num paraíso de verdade, o nosso Jequitibá.
Esse paraíso existe e muita gente passaram por lá. Saudades do meu velho Jequitibá, que tantas alegria nos deu e foi cenário do palco da história da minha vida e de muitos. Ali foi o meu cenário, onde atuei como protagonista e espectadora, representando o meu papel no grande palco da vida.
Júlia, peço-lhe licença para estender essa homenagem aos Padres de Jequitibá, alguns já falecidos como Dom Abade, Padre Constantino, Padre Adolfo, Padre Henrique e outros e ao Padre Bernardo, Padre Estevão e o atual Dom Abade. A minha tia Joanita, que sabe muito bem de toda a história, Sr. Eulálio, Dona Eurita, Sr. Argemiro e Dona Lourdes e outros.
Que o amor continue sendo a palavra chave da vida, em construção de um mundo melhor, mais justo e repleto de paz, que não seja utopia e sim uma realidade que está por vir para o bem de todo os povos.

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