
HOJE É MEU ANIVERSÁRIO
Resolvi fazer uma retrospectiva da minha vida, contar-lhes uma história linda ao qual faço parte orgulhosamente.
Nasci em Jequitibá-Mundo Novo, no coração do sertão da Bahia, um centro religioso que irradia sua ação benéfica não somente ao Município de Mundo Novo, mas em toda a Diocese de Ruy Barbosa.
Os padres do Mosteiro de Jequitibá administram a Fundação Divina Pastora. Realiza-se o velho lema da Ordem de São Bento, também seguidos pelos monges Cistercienses “ ORA ET LABORA” i. É: “ REZA E TRABALHA”.
A fazenda da Fundação foi uma doação do Sr. Coronel Plínio Tude de Souza e D. Isabel Fernandes Tude de Souza, não tendo filhos, queriam deixar uma fazenda e seus bens para uma Fundação em benefício da população sertaneja.
Meu pai, foi um dos primeiros empregados, assumiu a direção da oficina, cuidava da eletricidade, mecânica, encanamentos e atuava na execução do motor, que fornecia luz elétrica para a fazenda. Se tornou um profissional conceituado, respeitado e querido pelos padres e moradores. Com seu carisma, passou a ocupar um lugar privilegiado e bem conhecido pela sua popularidade, por toda a região.
Nesse lugar, tanto os monges como os irmãos dão exemplos de oração pelo Ofício rezado em comum e pela Liturgia celebrada. Eles estão pelo trabalho em prol de seus irmãos na comunidade, na paróquia e no mundo, preocupados na Promoção Humana, para que cada um venha a ter os elementos necessários para viver com dignidade na sua condição de “ Filhos de Deus”.
Havia um seminário para formação de monges e sacerdotes e o internato para meninos, com formação primária até o ginásio. Um lugar bonito, onde a paisagem sempre encantava e continua encantando os olhos.
Ao som de lindas músicas, numa maravilhosa viagem ao mundo da poesia, emoções fortes, relembrando minhas raízes. Um mundo colorido e a capacidade de sonhar, acreditando sempre numa força Superior, capaz de tudo de bom, com esperanças de poder sorri sempre, superando as dificuldades ao encontro da verdadeira paz.
Foi lá que aprendi amar a poesia, onde vivi os mais incríveis momentos da minha vida. Sonhos de menina, de adolescente, primeiro amor. Aprendi a rezar e amar a Deus acima de tudo, a escrever e ler, a respeitar ao próximo, aprendi também o verdadeiro significado do amor.
No centro, o lindo Mosteiro, como um castelo, feito de pedras, ao redor, piscinas, jardins com muitas flores, que contava com a delicadeza do Padre Adolfo, mãos mágicas, tornavam-os mais belos. Um imenso pomar que chamávamos de paraíso, com várias espécies de árvores frutíferas, aos cuidados do Irmão Martinho, onde os pássaros felizes cantavam.
Paraíso dos meus sonhos, da minha vida e do meu saber.
Saudades tenho muitas, dos tempos que por lá passei, das travessuras de criança, que muitas vezes, juntamente com outras crianças, invadíamos o paraíso para roubar frutas deliciosas, num gesto inocente como uma aventura maravilhosa.
Vou contar-lhes uma historinha que aconteceu comigo aos 7 anos. Tinha acabado de entrar na Escola Santa Isabel, no mês de maio havia a novena, todas as noites, ia com minha mãe, irmãos e outros moradores, lá observava todos com um livrinho, não sabia ler ainda, mas achava interessante as pessoas olharem para aquele livrinho. No dia seguinte, revirando uma gaveta onde o meu pai guardava papeis e documentos, encontrei um livrinho parecido e peguei, me senti importante olhando aquele livro pequeno, olhava sem parar, como se estivesse lendo e acompanhando a novena no banco da Igreja. Minha mãe concentrada na oração, nem percebeu. Ao terminar a novena, fui com as demais crianças roubar frutas no paraíso e perdi o tal livrinho. No dia seguinte, um dos funcionários que cuidavam do pomar, encontrou a carteira profissional do meu pai ali e estranhou. Imediatamente foi à oficina onde o meu pai trabalhava para entregá-lo. Estava brincando com as minhas bonecas no meu quarto, meu pai entrou com a carteira na mão, eu me assustei e ele logo percebeu que tinha sido eu a autora da travessura. Ele não brigou comigo, apenas me abraçou e disse-me que aqueles papeis eram importantes e que não poderiam serem mexidos mais. Não precisei falar nada, mas ele compreendeu o meu interesse pelos livros e a vontade imensa de aprender a ler e escrever. Aquele fato marcou muito e relembro de cada detalhe, como se fosse hoje, apesar dos meus poucos anos de vida, uma criança com sede de aprender.
Jequitibá, andei pela manhã e ao entardecer, a contemplar sua beleza, guiada pela luz da esperança
, daí o surgimento desse poema que acabo de escrever. Jequitibá
Ah Jequitibá!
Tu foste meu paraíso,
e ficaste por lá,
com o lindo canto do sabiá,
que cantava sem parar,
com seu gorjeio suave,
e entoando alegre um hino divino.
Nesta distância,
eu sinto um sofrimento,
sem nenhuma crueldade,
pois ele vem temperado,
pela saudade.
Jequitibá, meu paraíso,
terra da beleza e da grandeza,
a embriaguez da palavra,
e da poeira do seu campo,
causa-me espanto,
de tanto encanto.
Ah tua terra perfumada!
Ah tua estrada!
É cheia de carinho,
a lua vai iluminando o caminho,
do amor e com seu clarão,
vai rompendo a escuridão.
E da sua altura gloriosa,
veio-me a inspiração tempestuosa,
que faz jorrar provérbios,
cheio de amor e beleza.
Este mundo é um sonho,
e fica mais risonho,
na esperança dos rostos de quem ri.
Ah Jequitibá sorri!
E esperas a volta dos teus filhos
a terra da honradez
dos supremos brilhos,
cheio de sabedoria,
mostrando o mundo profundo,
de amor e poesia.
Recordações boas, que fazem aumentar a saudade de um tempo que se passou velozmente, mas que deixaram pra sempre, marcados na mente, a certeza de que, uma sementinha plantada em solo fértil, dará sempre bons frutos.
Tive o privilégio de nascer num lugar abençoado por Deus, longe do sofrimento e da escassez, onde tínhamos o necessário pra se viver dignamente como pessoas de bem e abundantemente em amor e paz.
Meu pai, além das diversas funções que ele exercia na fazenda, sempre cultivou sua grande paixão pelo futebol, até hoje prestam homenagem a memória dele, por ter fundado o campo e ter promovido inúmeras partidas, com cidades vizinhas. A cada jogo, era um grande acontecimento e todos os moradores se mobilizavam para que tudo acontecesse de uma forma bonita e divertida. Grandes festas no final dos jogos, passavam a noite inteira dançando.
O nome jequitibá vem de uma enorme árvore no meio da mata. Entre as outras árvores da mesma espécie, ela se destacava pela altura e o tronco gigantesco, linda demais. A natureza foi super generosa, mas as mãos do homem, acabou destruindo essa preciosidade. Ali se transformou num ponto turístico, era visitada por pessoas de várias partes. Cada um que ali passava, queria tirar uma casquinha, deixar o nome gravado no tronco, enamorados deixavam declarações de amor para suas amada e vice-versa, assim por diante. Lamento dizer-lhes que esta árvore não resistiu, acabou desabando para a tristeza de todos nós. Há outras árvores, muitas até, mas nenhuma se iguala aquela árvore imensa que encantava o lugar com tanta beleza. No local, há outra grande obra da natureza, uma nascente de água pura e cristalina que é distribuída para toda a fazenda.
Jequitibá, meu paraíso, exatamente como um dia imaginei que fosse um paraíso. Um lugarzinho bem distante, lindo, onde a natureza com seu brilho e perfeição, resplandecia a cada canto o seu encanto, uma luz.
Essa é a forma que escolhi para comemorar o meu aniversário, compartilhando com o mundo dessa história fantástica. Estamos cansados de ouvirmos histórias tristes, sem querer fugir da realidade, gostaria de dizer-lhes, que o nosso Brasil é rico e há coisas belas, com amor venceremos e transformaremos esse lugar num paraíso, mas esta causa é nossa, precisamos de conscientização de cada um, mais amor e vontade, ajudando na preservação do meio ambiente. É um ótimo começo.
Agradeço a Deus por mais um ano de minha existência e pelos meus filhos, Eduardo. Thiago e Beatriz, minha netinha Júlia, meus irmãos, cunhadas, primas, sobrinhos, Ilza e família, Dina, Dercio, Carol, Miriam, Dayane, Elias, Edite, Idalina, Valdete e família, Vera e família, Glória e família, Carlos Italiano, Nilsa e família, Cris e família, Jair e família, Professores Marcos Moraes, Iris Gardino, Maria dos Prazeres, Homero, Raquel, Nicolau, minha querida afilhada sandra, tia Nita e família, Nice e seus filhos, todos os demais colegas de trabalho da USP , amigos da Bahia e daqui de São Paulo que conquistei nesses anos. É maravilhoso estar entre todos vocês, pessoas especiais e queridas, com certeza, estarão comigo não só no dia do meu aniversário e sim, mesmo em pensamento, todos os dias da minha vida.
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