Eu em contato com o mundo, neste cantinho, quero deixar meu sorriso, meu olhar, minhas interrogações, os murmúrios de meu pensamento, meu horizonte e o infinito de minha alma...
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
UM EGOCÊNTRICO QUE TINHA CARISMA
O nascimento do Rafael, foi comemorado com muita alegria, principalmente por parte do seu avô, que fez questão de demonstrar não só alegria, como satisfação e muita expectativa naquela criança que acabava de chegar ao mundo. Tão pequenininho e nas palavras do avô já era vitorioso. Segundo ele, aquele serzinho havia nascido para brilhar. Um amor tão grande que mal cabia no peito, seu coração tornou-se pequeno com a dimensão daquele sentimento. Não demorou para aquela criança, na sua inocência, perceber o tanto quanto era amado, pelo entusiasmo e o carinho a ele dedicado, passou a trocar o berço pelo colo.
Seus pais tiveram mais dois filhos, Pedro e Isabela que também receberam o amor e carinho dos avôs. O Pedro tinha muita dor de ouvidos e necessitava de cuidados médicos constantes, nada tão grave mas que necessitava de cuidados dobrados dos seus pais, um motivo a mais para o avô se aproximar um pouco mais do Rafael, assim ele sentiria acolhido e os deixavam cuidar do irmãozinho. Quando a Isabela nasceu, por ser uma menina, ele ficou cheio de alegria, relembrou o nascimento da sua tão amada filha. Todos sabiam da sua preferência por meninas. Mas nunca deixou o Rafael de lado, para ele, o Rafael ainda era o favorito, a criança mais linda e mais especial do mundo, seu neto preferido.
O Rafael crescia e a admiração do avô aumentava. Nos passeios que faziam juntos, nos ônibus e nos lugares onde eles chegavam, eram notados, o menino esperto e falante chamava a atenção de todos. Muitos elogios eram feitos, deixando o avô Antônio mais e mais encantado e orgulhoso.
O tempo foi passando, chegou o momento de colocá-lo na pré-escola e em seguida, à Escola e passou a cursar a primeira série. Um momento tão bonito e esperado para os pais e avô. Foi nessa época que os professores e pais perceberam que o Rafael era canhoto, mas para o avô era um defeito grave, aquilo não poderia acontecer com o seu neto predileto, tentou mudar isso. A sua mãe não aprovava a atitude do seu pai em querer obrigá-lo a usar a mão direita, tentou interver e obteve a seguinte resposta, tu não sabes de nada, essa mão é mão de merda, não aceito e ele vai usar a mão certa. Era difícil dialogar com seu pai, ele tinha sua opinião formada, não havia como mudá-lo. Que fazer naquela situação? Ele o amava de uma forma grandiosa, mas acabou sendo um motivo de preocupação para a mãe do Rafael. Quanto a isso não fez nada para impedir, por receio de ofendê-lo.
Outro fato aconteceu. Sua madrinha deu-lhe de presente, um Mickey, o Rafael passou a dormir agarradinho com o brinquedo e não largava. O avô Antônio ficou irritado com aquilo, como um menino homem brincar com aquele brinquedo de mulher, ele era macho e tinha que brincar com brinquedo de macho, jogou fora o brinquedo tão querido. O Rafael chorou muito, mas logo se convenceu que o seu avô tinha razão, ele sabia o que era melhor pra ele, certamente aquilo não era bom e compreendeu a atitude do avô.
Para Ana, seu pai era um homem correto, íntegro e apesar dos tempos serem outros, não via motivos para preocupação, apesar de não concordar com uma série de atitudes.
O Sr. Antônio fazia questão de levar e buscá-lo na Escola. Ele deixava claro, se apanhar na Escola, apanhará em casa também. Assim o Rafael apanhou muito por lá e bateu também e ficou por isso mesmo.
Um certo dia, sua mãe recebeu uma vizinha, que vendia produtos do Avon etc, o Rafael e o Pedro disfarçadamente induziram o cachorro a morder a senhora. O cachorro não era de latir, mas bastava um sinal para se aproximar silenciosamente e morder, quando a senhora menos esperava, recebeu uma mordida no bumbum ficando as marcas dos dentes naquela senhora. O cachorro era vacinado, mas foi uma situação constrangedora. Sua mãe ficou brava com os meninos e disse-lhes, quando a Dona Adalgisa for embora, darei uma surra nos dois. Correram e foram contar o acontecido ao avô, na defesa dos meninos disse-lhes, se ela bater em vocês, eu baterei nela também. Claro que ele não faria isso, mas deixou claro que estava do lado deles e que estaria pronto para defendê-los.
O Rafael, muito esperto, sabia que poderia contar com seu avô sempre, procurava agradá-lo e alegrá-lo mais e mais, acabava se destacando com sua simpatia e esperteza, se mostrando forte e destemido, um homenzinho.
Aos 10 anos, o avô do Rafael veio a falecer, vítima de um infarto agudo do miocárdio. O mundo desabou para ele, ao ver a sua mãe aos prantos, sofrendo. Que fazer diante aquela situação? Aquele homem que ele julgava imortal estava ali deitado imóvel para sempre. O que seria da sua vida dali para frente? A quem ele iria recorrer nas suas dores de barriga e nos probleminhas na Escola? Quantas e quantas vezes para deixar o vovô contente, tomava chá de boldo como se tivesse tomando um delicioso suco. O seu avô dizia aos quatro cantos, que essa criança teria um futuro brilhante e que se destacaria entre todos os outros netos. Deu-lhe asas para voar e acreditar que era possível sim, contava com o apoio dele ali ao seu lado, incentivando-o o tempo todo e mostrando-lhe o que só ele parecia enxergar. Sentiu-se perdido sem saber qual direção a seguir. Sentiu-se como se tivesse com suas asas quebradas, terrivelmente machucadas, impedindo-lhe de levantar vôo. Como não chorar numa situação daquela? Seu avô dizia que homem não chorava, que tinha que ser forte sempre. Como seria dali pra frente sem o seu amado avô, seu herói. Ele necessitava de colo, mas diante aquela situação, sua mãe também se encontrava fragilizada e sofrida com a perda tão sofrida do seu pai querido.
Algo mudou na vida do Rafael, ele passou a ser estabanado, não fazia nada com atenção, se tropeçava nos móveis e estava sempre sofrendo pequenos acidentes. Já não prestava atenção nas aulas e não cumpria os deveres de casa. Nas reuniões de pais, as notícias não eram das melhores, estava sempre envolvido em brincadeiras e tinha um comportamento estranho, ficava horas e horas com olhar fixo e perdido em pensamentos distantes. Preocupada sua mãe resolveu levá-lo ao psiquiatra para posteriormente ser encaminhado ao psicólogo. Mãe é mãe e ela percebeu que aquela criança necessitava de ajuda de um profissional. Mas o pai dizia ser médico de doido, fazia críticas e por essa razão não foi possível continuar com o tratamento.
O Rafael era rebelde, tinha um comportamento agressivo, parecia revoltado. Sua mãe não compreendia as razões e lamentava por ele não ter dado continuidade ao tratamento com o psicólogo.
Atualmente a Ana é viúva e vive com os seus três filhos. O Pedro casou-se e tem um filhinho, sempre foi um bom filho e nunca deu-lhe maiores preocupações. O Rafael embora não tenha se casado, tem uma filhinha e outra filha está por vir. Ambas de mães diferentes. É muito difícil a convivência com o Rafael, ele não tem vícios, trabalha, mas tem um gênio forte. Passou a ser constante as brigas dele com a mãe, ela não concorda com o seu jeito irresponsável de agir com as mulheres que ele se relaciona. Palavras duras ditas de ambas as partes, acarretou uma crise entre mãe e filho. A Ana não compreendia por ele ser tão diferente dos outros dois filhos. Ele é individualista, detesta compartilhar algo da sua vida com os outros, depende dos outros e não aceita opiniões de ninguém. Vive como se não precisasse de ninguém. Dessa vida, nada levamos, só fará diferença as boas atitudes, os gestos de humanidade, humildade e solidariedade, saber viver em grupo, ajudando e sendo ajudado, sem querer receber nada de volta, o retorno vem de Deus. Se todos fizessem um pouquinho em benefício dos outros, com certeza, esse mundo seria bem melhor. Não gosta de dar nada a ninguém e muito menos emprestar.
A Isabela sempre foi uma ótima filha, nunca deu trabalhos aos seus pais. Sempre responsável com os deveres escolares e em todos os aspectos, agiu com moderação, cautela e muito respeito. Pedro e a Isabela sempre tiveram um comportamento exemplar, dispensando qualquer preocupação.
O Pedro preocupado com aquela situação, sentiu-se tocado a ajudar seu irmão. Na opinião dele, agiu como cristão e fazendo jus a sua religião católica apostólica romana, fazer algo concreto numa demonstração de amor e fé ao Cristo ressuscitado, presente entre nós. Resolveu contar um segredo que guardava durante muito tempo. Talvez estivesse aí a razão daquele comportamento estranho. Quem sabe, uma forma de ajuda-lo a enfrentar essas possíveis traumas do passado. Com riqueza de detalhes, revelou que o seu irmão havia sofrido abuso sexual dentro da própria casa, por pessoas que trabalhavam ali e acima de quaisquer suspeitas.
Uma história de vida inusitada e complexa. Um assunto polêmico, onde as vítimas foram crianças inocentes e indefesas, que se calaram diante a dor, por puro medo. Essas pessoas agiram com crueldade e maldade, se passavam por pessoas de bem. Lamentavelmente saíram ilesas, vivem como se nada tivesse acontecido, não há como provar nada, se passaram muitos anos, aquelas crianças hoje são adultas. Ao saber de tamanha monstruosidade, a mãe sentiu-se como se uma faça atravessasse seu peito, foi tomada por uma dor imensa que tomou conta daquela mulher, não conteve as lágrimas, sentimento de culpa e revolta tomaram conta dela. Há muita gente ruim, maníacos entre nós, são especialistas em disfarces. Que esse caso, sirva de alerta para os pais e responsáveis, para não cometerem os mesmos erros. Todo cuidado é pouco, conversem com seus filhos e esclareçam a eles, que seja qual for o problema, devem falar para seus pais.
Os professores haviam alertado do seu comportamento estranho e distante e solicitaram aos pais, que ficassem atentos, poderia está acontecendo algo muito sério com ele. No primeiro instante, ela começou a observá-lo, para ver se havia ou não a possibilidade de haver uso de drogas, mas com o tempo, descartou essa possibilidade. A Ana, sempre foi uma mãe presente, embora trabalhasse fora, procurava desempenhar o seu papel de mãe da melhor maneira possível. Nunca se passou pela sua cabeça, que aquelas pessoas tão boas e prestativas seriam capazes de tal ato.
O Rafael, hoje é um bom moço, não tem vícios, mas alguma coisa nele necessitava melhorar, é um ser egocêntrico, parece que vive num mundo só dele, muitas vezes pisa nas pessoas sem perceber. Gosta de tudo organizado mas está sempre promovendo desordens, tem um carisma imenso, geralmente as pessoas se encantam com seu jeito de ser, fazem coisas por ele que normalmente não fariam por qualquer outra pessoa, sem querer nada em troca, mas ele acaba abusando dessas gentilezas, achando que essas pessoas têm obrigações. Ele reconhece seus erros e até lamenta pelas palavras ditas em momentos de raiva, mas acaba cometendo os mesmos erros sempre. As vezes ele quer abraçar o mundo e sente-se impotente devido suas próprias condições financeiras, mas apesar de ter potencial, não consegue transmitir segurança e firmeza. Sonha muito, mas desanima no meio do caminho. Quando um problema o atinge para valer, as dores de estômago aumentam, gastrites e dores de cabeça, se fecha dentro de si e parece que sente medo até da sua sombra. Para seus dois irmãos, Pedro e Isabela, o Rafael sempre recebeu a melhor parte de tudo, seus pais sem perceberem, agiam dessa forma e no entanto, nenhum dos dois cresceram com essa carência. A Isabela acha que o Rafael sempre foi o mais protegido e que não havia motivo aparente para ele agir com desequilíbrio. Ele poderia estar morrendo de fome, não teria disposição de ir à cozinha preparar algo, e mesmo estando pronto, não coloca no prato a comida. É muito dependente, parece preguiça, mas quando resolve tentar, quebra prato e derrubava panelas. Para ele, assumir um relacionamento publicamente, fazer declarações de amor, seria tarefa impossível. Deixa transparecer, a situação de estar com uma na intenção de outra, essa é a impressão que ele passa para todos, instabilidade constante.
Diante tudo isso, o que fazer? Como poderemos ajudá-lo?
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
EM BUSCA DE DISCERNIMENTO, ENCONTREI A LUZ
Meados do ano de 1992, estava arrumando a minha casa, num determinado momento, tive uma espécie de tontura, me apoiei na vassoura para não cair, uma voz soprou aos meus ouvidos, que dizia o seguinte: “.... Não compreendi o ano, só ficou claro o número cinco, você vai passar por uma situação gravíssima e delicada, sua vida irá se passar por fio, um sofrimento grande, quando tudo parecer que será o fim, vencerá após muita luta.” Fiquei perturbada, não conseguia compreender aquilo, mas resolvi tocar a minha vida. Em 1991 havia perdido o meu pai, meu herói e não tinha sido nada fácil, quase entrei em profunda depressão e fui resgatada pela Nossa Senhora Aparecida.
Tempos depois, surgiu uma verruga na parte externa da vagina. Fui ao médico e imediatamente marcaram uma cirurgia para remover a tal verruga que foi levada para análises. Ao retornar a consulta, notei uma certa preocupação por parte dos médicos, inclusive me disseram que uma junta médica iria me acompanhar por cinco anos. Ao sair do consultório, me lembrei do episódio acontecido comigo há tempos atrás e como deixaram claro o número “5”, achei que poderia ser a situação que viria. Nesses anos, bastava senti algo, uma dorzinha ou coisa parecida era comunicado imediatamente aos médicos e não tinha dificuldade alguma, sempre era atendida. Até pensei, se toda dificuldade for igual a esse, está ótimo. Nesse período, aconteceu algo muito grave comigo, mais uma vez, achei que teria chegado o momento de passar pela situação grave. Não gosto nem de me lembrar. Sofri humilhação, fui massacrada e me vi num inferno pessoal, quase fui a loucura, mas passou. Após os cinco anos, recebi alta. Não havia motivos para continuar, estava ótima. Nessa época os meus filhos eram pequenos.
Nada foi fácil na minha vida, mas nunca deixei me abater, sempre vivi em busca de razões para sorrir, sentir-se bem comigo mesma e com o mundo. De uma coisa estou certa, nesse mundo, as pessoas de corações bons sofrem muito mais. Digo isso por experiência própria. Quem me conhece de verdade sabe que tenho o coração bom, sei reconhecer isso, é uma qualidade da minha própria natureza. Sofri demais e muitas vezes fui vítima de comentários ridículos e maldosos, por pessoas que vivem em função da infelicidade alheia.
Tudo isso passou, estou em outro estágio e dificilmente darei ouvidos aos discursos que não me agradam. Sinto-me feliz, na minha Fé em sintonia com Deus e com a minha e nossa mãe, a Virgem Maria, Nossa Senhora Aparecida.
No ano de 2009, fui ao Hospital do Servidor Público, marquei uma consulta com os médicos de alergia. Estava preocupada com uns carocinhos que haviam surgido na minha pele. Fui submetida a vários testes de alergia e durante meses fui monitorada a minha alimentação e remédios. Parecia que tudo estava sobre controle, havia procurado os médicos no início do problema. Em fevereiro de 2010, tive uma crise imensa, saiu carocinhos por todo o corpo e fiquei com uma aparência péssima. Os médicos ficaram preocupados, vários tipos de exames foram solicitados, HIV, Hepatites e tantos outros exames. Os resultados foram negativos e ficaram mais e mais preocupados, não sabiam o que fazer. Passei a ser atendida uma vez por semana. Trocavam os remédios, pareciam que estavam experimentando qual seria mais adequado. As minhas mãos cheias de bolas e não tinha um lugarzinho que não fosse ferida. Na época, estava com o surto daquela doença do porco e onde íamos tínhamos que lavar as mãos com álcool ou com sabão. Imaginem o meu sofrimento. Álcool nem pensar e certos sabões muito menos. A minha imunidade estava baixa e era perigoso. Passei a ser tratada com cortisona, melhorava apenas por um ou dois dias e retornava sempre e cada vez pior. Passava noites e noites em claro, sem poder dormir, parecia que tinha vários bichinhos me picando o corpo inteiro. No dia seguinte, os lençóis estavam cheios de pedaços de peles e manchinhas de sangue. Sem contar as dores nas mãos, um sofrimento imenso. Passei a conviver com a dor, ela passou a ser minha companheira diária. Tomava remédios fortes que causavam sono profundo, vivia sonolenta. Enquanto dormia tinha a sensação de alívio, tinha pesadelos horríveis e ao acordar me deparava com a dor.
Entrava ano e saia ano e eu continuava com essa tal alergia, que surgiu do nada e de uma forma que os médicos não conseguiam me dizer as possíveis razões. Biopses das mãos foram feitas. Ouvi um comentário de uma médica para a outra médica. Cada mão apresentou resultado diferente da outra. Como pode isso? Eram médicos estagiários e os comentários eram compreensíveis. No Setor de Alergia viram que não davam jeito e me aconselharam a prosseguir o tratamento na parte de Dermatologia, lá eles diziam que o meu caso era de alergia e que deveria ser tratado na parte de alergia. Era jogada de um lado para o outro e a cada dia me sentia mais fragilizada e desanimada daquela situação. Devido a enfermidade, estava sem forças e sabia que só Deus poderia me curar. Como funcionária pública, a cada cinco anos, tinha direito a 90 dias de licença-prêmio e praticamente, passei o ano de 2010 e 2011 de licença-prêmio. Não tinha condições de trabalhar no estado que se encontrava e para não comprometer a minha aposentadoria por tempo de serviço, resolvi usar as minhas licenças prêmios. Nesse período, percebi que não somos nada, que sofremos com o pouco caso das pessoas, nojo e indiferença. Embora não seja algo contagioso você percebe muita gente se afastar com medo de pegarem doença. Um certo dia, na sala de café lá na USP, estavam vários professores, funcionários e uma aluna que sempre se mostrou minha amiga, talvez estivesse ali a convite de algum professor, ao me ver entrar na sala se aproximou para me cumprimentar, ao perceber algo estranho se afastou, disse-me sem beijinhos, isso é contagioso e não quero que me pegue. Eu disse a ela, não é contagioso e ela respondeu, é sim, o porteiro do meu prédio, começou assim e depois morreu, isso vai tomar seu corpo todo. Foi horrível. Ao chegar no Departamento estava arrasada e como sempre, a minha amiga e colega Ilza me ajudou a levantar-se após o baque. Não esqueço jamais das pessoas que me prestaram solidariedades e gestos de amizade pura, sem interesse algum, simplesmente por humanidade. Outro fato que marcou muito foi, O Juscelino um dia chegou em casa irritado e muito chateado, ele disse-me que a mãe dele havia o alertado para não comer nada vindo das minhas mãos, para ele ter muito cuidado com a minha doença. Ele me acompanhava aos médicos e sabia de tudo muito bem e se fosse algo contagioso os próprios médicos eram os primeiros a alertarem. Quando o Bryan nasceu, não estava bem e no auge do problema, as mãos estavam horríveis, mas em nenhum momento a minha nora me proibiu de segurar a criança, ela se mostrou compreensiva e solidária, embora fosse seu primeiro filho, em nenhum momento notei alguma rejeição por parte dela, são simples demonstrações que me tocaram para sempre. Eu estava sensível por demais, qualquer coisa, um comentário infeliz ou até mesmo um gesto apenas me causava sofrimento, tinha mais e mais vontade de me refugiar de tudo e de todos.
Em 2013 tive três perdas. O meu marido, o homem que me casei e que juntos vivemos uma história, foram vinte e cinco anos maritalmente, pai dos meus três filhos. Por razões que não convém relatar, dormíamos em camas separadas, mas mantivemos o respeito mútuo, amizade e muita consideração, um acolhendo ao outro, principalmente nos momentos mais difíceis. Tudo que fiz por ele não foram em vão e no momento que mais necessitei, ele retribuiu. Os dois irmãos que eu os amava muito, pessoas lindas e grandes corações. Isso com certeza desencadeou mais uma crise violenta, por causa da parte emocional afetada. Mais um ano difícil e eu resolvi optar pela minha aposentadoria, já que havia completado o tempo necessário e de direito. Desde fevereiro de 2014, estou aposentada e venho enfrentando altos e baixos. Finalmente, relembrei de algo que aconteceu há muitos anos atrás e hoje estou certa, de que aconteceu o que a voz me disse. Foram momentos que não desejo a ninguém, nem ao meu maior inimigo, se tivesse. Quantas e quantas noites, onde todos dormiam e eu ali sentada na cozinha, passando uma coisa e outra para aliviar as dores nas mãos. Nunca imaginei que existia dores nas mãos, não sabia onde colocá-las. Tentava me concentrar e rezar, mas era impossível e chorava de desespero. Não me envergonho de dizer, que desejei morrer e houve momentos que as minhas forças estavam acabando, não havia onde me apoiar e me esqueci que Deus esteve todo esse tempo ao meu lado, esperando pelo meu pedido de Socorro! Dei ouvidos a tanta gente e me esqueci de DEUS. Uma pessoa, que se dizia grande amiga, de longa data, se dizia preocupada com a minha situação, me disse que tinha a solução para meu problema e que eu poderia confiar nela, cansada de tudo e desejando ficar boa, me livrar daquilo que doía tanto em mim, resolvi aceitar a ajuda da Ana, ela sempre foi uma pessoa amável e de confiança. Ela me apresentou uns remédios naturais e segundo ela, seria uma limpeza e não tinha efeitos colaterais. Para começar, R$ 400, 00 (quatrocentos reais) paguei por um creme para as mãos e corpo e líquido para tomar 3 vezes ao dia. Assim que passei os cremes achei estranho, parecia deixar as mãos mais ressecadas e ásperas, no dia seguinte estava inchada. Liguei e ela me disse que era normal, que continuasse normalmente, mas fui piorando e os meus filhos me fizeram parar de usar os tais remédios. Ao saber que eu tinha deixado de usar, ela foi a minha casa e me levou até o Senhor responsável pelos remédios. Esse senhor, afirmou que não era para deixar de tomar os remédios e usar os cremes, a não ser que eu não quisesse ficar totalmente boa. A Ana me sugeriu ficar em sua casa para poder tomar os remédios e não sofrer interferências dos meus filhos, mas preferi ficar na minha casa. Foram três dias que duraram uma eternidade, fui transformada e transfigurada, não parecia eu e sim uma velha de filmes de terror. Quase morri, se tivesse insistido em continuar tomando os remédios como a Ana e tal homem pediu, hoje estaria morta. Uma inchação imensa nos olhos e no pescoço impedindo a respiração. Tenho as fotos que provam o estado que fiquei, embora tenha sido caso de polícia, deixei pra lá. Tudo isso serviu para abrir os meus olhos, pela primeira vez, durante tanto tempo, estou certa que vou ser curada, já estou sendo curada pelo Espírito Santo. Eu tenho uma religião linda e séria, desde criança sou Católica Apostólica Romana, nunca tive dúvida de que é essa religião que quero seguir até meu último suspiro aqui na terra. Já recebi tanta demonstração de amor de Nossa Senhora Aparecida, ela já esteve presente em tantos momentos da minha vida, embora eu nunca tenha dado testemunho dessas maravilhas. O pior já passou, não há problemas não poder usar esmaltes, isso é o de menos, não faz mal, seguirei as prescrições médicas, evitarei certos alimentos e remédios, outros produtos ficarei em alerta, mas a partir de agora, estou liberta e vou ser curada, com a graça de Deus. Não pensem que estou louca e pretendo abandonar as prescrições médicas, estou me referindo as feridas da alma, que durante todo tempo, cultivei ressentimentos, mágoas, revolta por achar que estava sendo punida por Deus.
Vejam bem, Tudo teve início em janeiro de 2010, o ano que vem completará 5 anos e será 2015, também contém mais um cinco. Significa que está próximo do fim da minha trajetória, foi dolorosa, cheguei a pensar que não resistiria, foram momentos longos e tristes, mas me sinto bem e repleta de confiança, iluminada pelos imensos Raios do Espírito Santo, cheia de vontade de viver e gritar para o mundo inteiro, eu venci, com a Graça desse Deus maravilhoso, misericordioso, grandioso e infinitamente amoroso, o grande amor da minha vida a quem dedicarei a minha vida agora e pra sempre amém. “Maldito o homem que confia no homem e que busca apoio na carne, e cujo coração se afasta do Senhor.” Jeremias 17, 5.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
ÉRAMOS SETE IRMÃOS
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
UMA PALAVRINHA DE CARINHO AOS MEUS COLEGAS DE TRABALHO!
quinta-feira, 25 de julho de 2013
TANTO TEMPO SEM O MEU PAI AQUI COMIGO!
sexta-feira, 19 de abril de 2013
DESPEDIDA - O início de uma nova era
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Assinar:
Comentários (Atom)