terça-feira, 6 de abril de 2010

Um acaso que resultou num encontro perfeito


(No momento, não tenho a foto do casal, oportunamente publicarei)

Em lugares diferentes, dois desejos, dois pedidos e a força do pensamento, atravessando horizontes, unindo dois corações num caso, por um acaso ou destino, duas pessoas pela força do amor.
Não é apenas uma história de amor e sim a confirmação da força do pensamento e a ajuda do pai lá do céu.
Dizem que nada acontece por acaso, há sempre um propósito induzido pela força do pensamento, o querer de verdade, a determinação em alcançar algum objetivo na vida ou apenas a realização de um sonho.
Algo de espantoso acontece quando nos rendemos e nos dedicamos ao amor apenas. Passamos a viver no campo do poder, já existente em nosso interior. O mundo só muda quando nós mudamos, só se acalma quando nos acalmamos. O mundo nos ama quando optamos por amá-lo primeiro.
Eu creio na força do amor que vence qualquer obstáculo na vida. Deus não precisa de mais nada, além de um momento sincero de entrega, em que o amor passa a ter um significado maior que qualquer coisa, e descobrimos que nada mais importa. Em troca, Ele faz brotar Seu poder do fundo do nosso ser. Mas é preciso ter sempre em mente que esse poder nos é dado para compartilhá-lo com o mundo, curar todas as feridas e despertar todos os corações a sentirem o mesmo, tornando os dias mais lindos e iluminados, com o brilho da fé e esperança.
Armando, num determinado dia, cansado de viver aventuras amorosas, relacionamentos complicados, resolveu ir à uma Igreja católica, solicitar ajuda de Deus. Naquele mesmo momento, numa outra cidade, a Lúcia também fazia o mesmo pedido.
Ambos foram para suas casa, na esperança de um dia, quem sabe, seus pedidos fossem atendidos. Tocavam suas vida normalmente. Certo dia, o Armando sem sono, resolveu ligar o rádio para ouvir músicas, enquanto não chegava o sono. Algo chamou-lhe à atenção. Uma mulher deixava ali suas características na intenção de arrumar um companheiro. O Armando nunca gostou desse negócio de internet e muito menos rádio, mas sem entender qual a razão, resolveu ligar para a rádio, pedir o telefone da mulher que acabara de se manifestar seu interesse em encontrar alguém. Para ele, não era tão simples, nunca gostou desse tipo de coisa e detestava tornar público algo tão particular. A locutora insistiu e acabou o convencendo a falar um pouco mais. Lá em Minas Gerais, naquele exato momento, a Lúcia também sem sono resolveu ligar o rádio e por um acaso, presenciou aquela conversa, anotou o telefone do Armando e no dia seguinte, resolveu ligar para ele. Naquela confusão toda, esqueceu de anotar o nome, mesmo assim resolveu se ariscar na tentativa e vejam o que aconteceu:
Num belo dia, o telefone toca e o Armando vai atender. A pessoa do outro lado, pergunta quem está falando, ele responde numa boa, coisa que ele não costumava fazer ao receber uma ligação. Ficou surpreso ao saber que alguém havia escutado sua conversa na rádio e se manifestava interessada em conhecê-lo melhor.
Na primeira conversa, ambos ficaram animados e cheio de esperanças. Dali pra frente, virou rotina as ligações, ficavam horas e horas, falando de suas vida, anseios e tudo mais.
Uma história linda e digna de ser divulgada, onde mais uma vez, demonstra que o querer de verdade, é poder e que vale a pena sonhar sempre com determinação e esperança.
Armando e Lúcia, vivem um grande amor, não como nos contos de fadas, mas na vida como ela é, superando obstáculos, fazendo histórias, conquistando espaços, se fazendo presente no dia-dia e principalmente, acreditando na força do amor que vence a tudo e nos aproxima mais e mais de Deus, que é sem dúvida a verdadeira força desse amor em todos nós e no mundo.
Amor é energia. Não se pode percebê-lo com nossos sentidos físicos, talvez, mas em geral as pessoas sabem dizer quando o sentem ou não. Pouquíssimas são aquelas que sentem haver amor suficiente em suas vidas e simplesmente não fazem nada para mudar a situação em que vivem por ser cômodo.
A Lúcia é viúva, tem filhos e netos, uma senhora encantadora, simpática e muito religiosa, alegre e cheia de vida. Carrega consigo, um brilho próprio, uma energia boa, uma palavra de fé aos que necessitam, uma mão estendida para os que precisam, solidariedade e humildade nos seus gestos e atitudes, como mulher, mãe, avó e ser integrante do mundo, dando a sua contribuição para torná-lo melhor para se viver. Para ela, o amor não tem idade, é sempre uma criancinha que nasce nos corações sem se importar com o tempo ou lugar, pronta para viver.
Fica aqui o meu relato sincero e real, como fã desse casal lindo e maravilhoso, que amo e sempre os amarei.
Pessoas como vocês tornam a vida mais bela e espalham esperanças nos corações como sementes do bem.
Vão em frente e sejam felizes para sempre.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

MAIS UM ANO QUE SE TERMINA E OUTRO QUE SE INICIA! FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!!!


RAZÕES PARA VIVER A VIDA


Vida, minha grande vida, meu bem maior, minha existência, meu estar aqui nesse mundo colorido, cheio de assombrações, encantos e delícias, selva de pedra, chão de pedregulhos, espinhos, verdes matas, rios, mares e animais, que enfeitam o cenário gigante desse palco onde vivo e viverei cada instante atuando até que chegue a minha hora.
Poderia citar mil e uma razões para viver a vida e seriam poucas, mas não poderia esquecer jamais, do autor da vida, a razão por estarmos aqui, a benevolência do Criador e a tamanha dádiva recebida na concepção da vida.
Vida, de Deus ato concreto do amor, pois Ele é amor e habita dentro de nós. Fomos criados a Sua imagem, ou mente, o que significa que somos extensões do Seu amor, ou Filhos de Deus. Muitos só passam a valorizarem esse ato de amor após sofrerem um grande risco de vida. Transformam-se completamente e humanamente, resgatando novos valores e descobrindo todas as delícias que é viver essa aventura fantástica.
O amor em um de nós é o amor de todos nós. Na verdade não existe uma linha divisória onde acaba Deus e começa você. Amor é energia, um contínuo infinito. Sua mente se prolonga até o interior da minha e da mente de todo mundo, em vez de ficar aprisionado dentro do seu corpo, como em geral se imagina.
Assim como um raio de sol não pode se separar do astro rei, e uma onda não pode se separar do oceano, nós não podemos nos separar uns dos outros. É impossível vivermos individualmente, necessitamos um dos outros para sobrevivermos. Fazemos parte de uma vasto oceano de amor, uma mente divina indivisível. A verdade de quem realmente somos não muda; apenas a esquecemos. Identificando-nos com a noção de um eu pequeno, isolado, abandonando a idéia de uma realidade compartilhada por todos.
Você não é o que pensa ser. Não acha bom saber isso? Você não é os diplomas que conseguiu, nem as credenciais de que dispõe, nem seu currículo ou casa. Somos seres sagrados, células individuais do corpo de Jesus Cristo, fonte de misericórdia que jorra no tempo, rosto divino do homem, filho da rainha, rosto humano de Deus.
Se cada um de nós, plantássemos uma árvore, com certeza estaríamos contribuindo com o nosso planeta. Não jogar lixo na rua. Quantas coisas seriam evitadas. Não é coisa impossível, mas que precisa da conscientização de todos e estaria ajudando a si e ao mundo.
Está faltando amor, solidariedade e humildade. Quando vemos um ato de heroísmos, como daquele jovem que pulou na enxorada para salvar aquela senhora, sem se preocupar com a sua própria vida, nos sensibilizamos e percebemos que há esperanças, que não está tudo perdido e que há pessoas dignas e capazes de fazerem algo por amor ao próximo. Um amor assim é que precisamos, gente como a gente e que acreditam num amor sem fronteiras, imenso e muito mais bonito.
O fim do mundo que conhecemos não seria algo tão terrível quando se pensa em toda dor e sofrimento que impera por aí. Nos “últimos dias”, não escaparemos aos horrores do mundo fugindo em veículos que alcancem o espaço exterior, mas em veículos que cheguem ao espaço interior. Esse veículos é nossa mente curada, dirigida pelo Espirito Santo.
Há tantas coisas acontecendo. A questão não é saber o que fizemos ontem, mas o que aprendemos com isso e o que fazemos hoje. Ninguém pode aconselhar um alcoólatra em recuperação se não se submeteu a anos de terapias e internações com objetivo de se livrar da bebida. Ninguém pode consolar uma pessoa em luto se nunca perdeu ninguém que lhe fosse caro. Ninguém pode ajudar em nada se não conhece a dor por que o outro está passando. O testemunho de vida é muito importante, além de nos aliviar a dor passa-nos exemplos que nos ajudará a acreditar que venceremos os obstáculos que até então pareciam impossíveis.
Sem nenhum sensacionalismo, hipocrisia ou oportunismos, me preocupo com rumo que as drogas estão afetando a humanidade e principalmente os jovens. Um mal que atinge muitas famílias. de se aparecer na mídia
Atualmente após a novela do horário nobre da televisão, pessoas falam de suas superações após acidentes ou episódios acontecidos. A maioria se emocionam ao falarem, ao mesmo tempo transmitem forças e alegria por terem vencidos. Quantas coisas e todos mostram a força que receberam do nosso gracioso Deus, essa energia que nos faz chorar de uma alegria incrivelmente indescritível.
Tudo isso é viver em abundância, valorizando cada segundinho com um amor tão grande quanto o universo inteiro, sorrindo e chorando, mas vivendo plenamente e mais, compartilhando com o mundo as delícias que é viver uma grande vida.
Mais um Natal se aproxima, Natal do Menino Jesus, que tal fazermos desse Natal um pequeno gesto concreto, ajudando a um irmão carente com um pedaço de pão, uma palavra de carinho, um sorriso e um abraço, algo pequeno que poderá se multiplicar pela generosidade e amor em dádivas Divinas. Há muitas maneiras de ajudar, faça a sua escolha e saiba que será bem visto aos olhos de Deus. Isso não é demagogia, é um lembrete a todos. Ninguém é tão pobre que não poderá doar algo. Em alguns casos uma palavra de conforto, poderá ser de muita valia, um atitude simples e sincera, que no entanto poderá salvar uma vida, pense nisso.
Natal simboliza a mudança. Significa o nascimento de um novo eu, que tem por mãe nosso caráter de seres humanos e como pai, Deus. Maria simboliza o lado feminino no interior de nós todos, impregnado pelo espírito. Sua função é dizer sim, eu o farei, receberei, não vou abortar esse processo, aceito com humildade minha função sagrada. A criança que nasce sob essa concepção mística é o Cristo em nosso interior.
Jesus em nosso corações nada mais significa do que a verdade gravada sobre ele, o “alfa e o omega”, onde começamos e para onde retornaremos. Mesmo que ele assuma outro nome ou rosto, em essência Ele continuará sendo a verdade de quem somos. A união de nossas vidas formam o corpo místico de Cristo. Reclamar nosso lugar nesse corpo é voltar para casa. Mais uma vez encontramos o correto relacionamento com Deus, uns com os outros, e conosco mesmo.
Feliz Natal pra todos! Que o Menino Jesus renasça no coração de cada um de vós, trazendo-lhes paz, esperanças e muito amor.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O REENCONTRO AO AMOR (conto de minha autoria)



Interior baiano, cidade pequena, onde divertimentos nunca faltavam. Para os baianos, tudo é motivo para festas e mesmo sem motivos festejam com alegria.
A primavera chegou, uma das mais bela estações do ano, a natureza fica mais bonita, flores por toda a parte, nos jardins e nos campos e os pássaros cantarolando felizes diante tanta beleza que irradia por todos os cantos. Um cenário perfeito para iniciar-se a mais bela e emocionante história de amor.
Preparem-se para saborear as delícias de um romance e viver as emoções da grandeza de amar sem medo, vencendo os obstáculos com a força desse amor imenso.
Numa linda tarde de setembro, ensolarada, o amor surgiu entre dois corações e se uniram para sempre pelos lações poderosos do verdadeiro amor.
Inauguração de um campo de futebol. A alegria era geral, todos se preparavam para assistirem uma partida entre aquela cidade e cidade vizinha.
Carros com microfones anunciavam aos quatros cantos o grande acontecimento e convidavam a todos a participarem daquele momento histórico.
Que bonito a chegada do comboio dos jogadores adversários. Músicas altas, apitos e gritaria, um ônibus e vários carros entraram a cidade buzinando sem parar.
Os visitantes receberam boas vindas do responsável pelo evento, todos ocuparam seus lugares para assistirem aquela partida entre gritos e aplausos.
A cidade estava em peso ali presente e vibravam de alegria. Gente de todas idades, todos com sua roupa de domingo.
No meio daquela multidão, Anita assistia o jogo em silêncio. Não longe dali, um jovem passou a observá-la a distância. Encantado com a beleza da jovem, agiu por impulso, colheu uma florzinha do campo, dessas que nascem em qualquer lugar, aproximou-se dela e a entregou num gesto simples e romântico. Ficaram parados por um instante, seus olhos se fitaram e paralisados viram estrelas brilharem.
Edu e Anita não se importaram com a gritaria e os gols, estavam apenas interessados um no outro, no romance que ali surgia sorrateiramente e embriagados pela magia que envolvia aqueles dois corações. Troca de olhares, palavras soltas no ar, ao vento em direção a eles soprando com intensidade um sentimento grande e marcando duas vidas para sempre.
Após o término do jogo, no salão de festa, iniciou uma grande festa, com cervejas, refrigerantes, churrasco e muita música e o casal aproveitou para ficarem juntos e se conhecerem melhor. A noite foi pequena pra tantas emoções.
O Edu veio com seu pai, comerciante apaixonado pelo futebol, e que sempre acompanhava os jogadores nas diversas partidas de futebol nas cidades vizinhas. Edu era estudante e ajudava o pai a tocar o comércio. Tinha uma irmã casada e dois sobrinhos pequenos. Sua mãe cuidava apenas dos afazeres domésticos.
Anita, menina simples e meiga e de uma beleza sem igual, ótima filha, estudiosa e educada. Seu pai era operário de uma fábrica e sua mãe, além de cuidar da casa, lavava roupa para fora, para ajudar nas despesas da casa e estudos das filhas. Uma vida humilde, porém repleta de amor e paz entre todos daquela família.
Os pais de ambas as partes, ficaram preocupados com aquele romance, mas diante a grandeza daquele amor, resolveram apoiá-los.
Enamorados e apaixonados, não queriam esperar muito tempo, era doloroso cada separação e o reencontro o amor florescia com mais força.
Após um ano, Edu se formou em contabilidade e Anita no magistério. Os preparativos para o grande acontecimento se aproximava e as famílias unidas, para que tudo fosse perfeito, o acontecimento mais lindo já visto por toda a redondeza.
Escolheram o mês de setembro para a celebração do casamento. A Igreja toda enfeitada de rosas brancas vermelhas e amarelas, envolvidas com flores do campo simbolizando o primeiro encontro dos dois. Foi emocionante a chegada de Anita a Igreja. Ela estava deslumbrante, com um brilho nos olhos e um sorriso maravilhoso de tanta felicidade. Muita emoção para todos os convidados e muita lágrimas de alegria. Após a cerimônia na Igreja, houve uma grande e farta festa para todos os parentes e convidados, até o amanhecer. Com tantos gastos, não viajaram em lua-de mel, foram para a casa deles previamente montada com carinho e dedicação e ali viveram momentos únicos de prazer, romantismo e amor.
Edu, com ajuda de seus pais, montou seu próprio negócio e o sucesso foi rápido. Adquiriu experiência trabalhando com seu pai e o seu jeito para os negócios facilitou tornando-lhe um jovem comerciante bem sucedido. No início uma pequena loja, muitas novidades que ele mesmo se encarregava nas compras indo as grandes cidades, depois foram aumentando.
Feliz nos negócios e felizes no casamento. Um lindo sonho que se tornou realidade como num conto de fadas.
Anita também montou seu próprio negócio com ajuda do marido. Abriu uma Escola.
Felizes planejavam ter muitos filhos. Adoravam crianças e queriam ver a casa cheia.
Um certo dia, ao levantar-se, Anita sentiu-se uma ligeira tontura e muito enjôo. Foram ao médico e após alguns exames receberam a confirmação da gravidez. Saíram do consultório como duas crianças vibrando de alegria, queriam anunciar ao mundo inteiro e compartilhar com todos de mais uma alegria que estavam vivendo. Se o Edu já era uma marido maravilhoso e carinhoso, os cuidados dobraram, acabou se esqueceu do compromisso importante de negócio. Ele tinha uma viagem marcada, mas não gostaria de se ausentar naquele momento tão importante de sua vida, precisava ficar ao lado de sua amada e ajudá-la no que fosse preciso. Anita sabendo da importância da viagem, não concordou, era por pouco tempo e ela ficaria bem. Foi difícil convencê-lo, mas acabou viajando. Antes da viagem fizeram compras e passearam pelos parques da cidade como dois adolescentes apaixonados e completamente felizes.
Anita ficou bem na companhia de seus familiares, mas falava o tempo todo da enorme falta que sentia do marido.
Na vida, nem tudo é sempre o mar de rosas, Anita sofreu um terrível acidente na Escola e acabou perdendo o filho tão desejado e esperado. Desesperada não parava de chorar. Com febre gritava pelo nome do marido. Sua mãe ficou o tempo todo ao seu lado naquele momento de dor. No hospital recebeu todos os cuidados possíveis, inclusive com psicólogos que a ajudaram a sentir-me melhor e superar aquela fase ruim. Obteve alta e retornou a sua casa, com os cuidados da mãe.
Tempos depois o Edu retorna trazendo presentes para o bebê e sua esposa. Foi um choque muito grande para ele, chorava desesperadamente, lamentando a perda do filho e por não está ao lado da Anita num momento tão difícil. Foram dias de total desânimo e de uma tristeza imensa, juntos deram voltas por cima com fé, amor e esperança.
Recuperada, Anita retornou ao seu trabalho na Escola, com o apoio de todos os funcionários e professores. Entre todas a professoras, a Neusa era a que ela tinha uma mais afeição e carinho. Talvez pela Neusa ser uma pessoa sofrida e sozinha, pois seus pais moravam distantes e por ela não ter muitos amigos por ali naquela cidade. Num desabafo a Neusa contou-lhe que foi abusada e abandonada pelo noivo na véspera do casamento e que o mesmo casou-se com outra. Não suportando aquela situação, resolveu procurar emprego em outra cidade. A Anita se sensibilizou com a história da Neusa e passou a dar-lhe seu apoio e amizade, quem sabe, ajudá-la a superar aquela perda e encontrar um novo amor. A Neusa, sempre boazinha, frágil foi conquistando mais e mais a simpatia da Anita, que acabou a convidando a vir morar, por uns tempos, em sua casa. Em suas inúmeras conversas com a Anita, falou das dificuldades para pagar o aluguel, havia 2 meses de atraso e estava sendo ameaçada pelo proprietário a ser despejada. Sua mãe era doente e seu salário era gasto com remédios e outras despesas da mãe. Quem não gostou foi o Edu, foi contra a atitude da esposa, mas Anita o convenceu a aceitar alegando que nada jamais atrapalharia o amor deles. D. Ana, mãe da Anita também foi contra a atitude da filha e tentou alertá-la inúmeras vezes, mas a Anita, estava decidida e não via nenhum mal em querer ajudar uma amiga que estava num situação ruim.
Falaremos agora um pouquinho sobre a casa do Edu e da Anita, para que compreendam melhor os fatos que relatarei a seguir.
Uma bela e enorme casa. Na frente um jardim com canteiros de margaridas, rosas e outras flores. Do outro lado a garagem e uns degraus para uma área com cadeiras e em seguida a porta de entrada para casa. Ao entrar, uma grande sala arejada com janelas, sofás confortáveis, quadros nas paredes, mesinha de centro com um lindo arranjo, aparelho de som, televisão. Em seguida, um corredor com 3 dormitórios, sendo um de visitas, outro do futuro filho que chegaria um dia e do outro lado, a bela suite do casal. Depois a copa, com uma mesa grande, com toalha de renda , uma linda cristaleira e quadros na parede. Tudo de muito bom gosto. Em seguida a cozinha com uma passagem para a lavanderia. Outro corredor com mais dois dormitórios, um era uma espécie de escritório, com estantes e livros, mercadorias da loja, notas fiscais e outras papeladas relacionadas ao trabalho do Edu e onde ele trabalhava quando estava em casa. Tinha um computador com impressora e uma mesa de escritório, o outro quarto passou a ser ocupado pela Neusa.
Com a chegada da Neusa, não mudou a rotina daquela casa. Era bonito, de causar inveja, o relacionamento do casal. Sempre amáveis e carinhosos um com o outro, como uma casal de namorados, trocavam beijos e carícias o tempo todo. A Neusa estava sempre sobrando e muitas vezes, tinha que se refugiar em seu quarto para evitar constrangimentos.
A Anita nunca notou nada de estranho no comportamento da amiga, mas o Edu achava esquisito a maneira que ela olhava para ele e gentilezas e elogios desnecessários, mas a sua esposa via apenas uma implicância gratuita dele e sugeriu que fizessem uma festa para apresentarem aos amigos e quem sabe assim, ela encontraria um namorado.
A festa foi preparada, receberam bastante convidados. Muitos rapazes ficaram interessados por ela, mas ela acabou não ficando com nenhum deles.
Uma certa noite, Anita já estava dormindo e o Edu, como de costume trabalhava sossegado em seu mini-escritório. A Neusa entrou com uma camisola transparente e se declarou para ele, dizendo-lhe que o amava e que estava sofrendo muito por causa daquele amor impossível. Se dizia amiga da Anita e que jamais estragaria o casamento da única pessoa que lhe ajudou, num momento difícil e se contentaria apenas com alguns momentos íntimos entre eles. Pasmo o Edu percebeu que a Neusa era muito pior do que ele imaginava. Sua esposa a acolheu ali com a melhor das intenções e ela agia como uma mulher vulgar da pior espécie. O Edu era completamente apaixonado pela esposa e jamais pensaria em traí-la, muito menos como uma pessoa que se dizia amiga dela. Tentou aconselhá-la a sair dali e procurar outro lugar para morar e tentar esquecer aquela loucura. Ela desabou a chorar, se fazendo de vítima e ele a segurou pelo braço e a levou para fora e trancou a porta. Sem condições de continuar trabalhando, resolveu ir dormir.
No dia seguinte, agiu normalmente, mas evitou trabalhar até mais tarde. Colocaram músicas e ficaram dançando e namorando alegremente. Depois foram para o quarto para mais uma noite de muito amor e sexo.
A Neusa ao perceber que o Edu tinha se afastado completamente dela, era indiferente o tempo todo, passou a chorar muito. Sem saber o que se passava com a amiga, Anita tentava agradá-la de várias formas, mas de nada adiantava.
O Edu não estava gostando nada daquela visita indesejável e chegou a perguntar a esposa, até quando ela ficaria ali, chegou a alertá-la dizendo que a Neusa nunca estava contente com nada, por mais que ele se esforcasse, nada parecia deixá-la feliz e que o melhor mesmo seria que ela procurasse outro lugar para morar, mas Anita pediu-lhe um pouco mais de paciência.
Anita ficou novamente grávida, mas preferiu guardar segredo. O Edu estava de viagem marcada e não queria deixá-lo preocupado.
O Edu viajou sem saber de nada e tudo ficou bem. Ao retornar receberia a notícia de sua gravidez.
Eles se amavam e era muito duro ficar longe um do outro, sentiam saudades e aguardavam ansiosos para o reencontro maravilhoso já vividos por duas pessoas que se amavam loucamente.
A Anita tinha total confiança na sua amiga Neusa e muitas vezes solicitava a sua colaboração na abertura de sua caixa de mensagens separando os e-mails importantes e que precisavam tomar alguma providência mais urgente, em assuntos relacionados a direção da Escola. Ela aproveitando da situação, lia e apagava todos os e-mail que o Edu enviava para a Anita. Não se dando por satisfeita as ligações também, ela também não passava para Anita, dizia que a Anita não estava, que ela tinha saído para resolver algum problema e anotava o recado para passar posteriormente. Anita preocupada com o silêncio do marido, estranhava a falta de notícia mas preferiu pensar que ele estivesse muito ocupado e sem tempo para enviar-lhe notícias. Rezava para que tudo estivesse bem com ele.
Uma certa tarde de muito sol e calor, A Neusa passou a sentir-se mau, Anita preocupado, colocou uma substituta com seus alunos e pediu-lhe que fosse para casa descansar. A Neusa havia lido o e-mail do Edu avisando que chegaria naquele dia e simulou aquela cena para impressionar a amiga. O Edu chegou, foi tomar um banho para em seguida ir ao encontro de sua amada. Imaginava que estivesse só em casa, entrou para seu quarto para tomar seu banho. Estava no banheiro e a Neusa apareceu completamente nua e o agarrou. A Neusa era uma mulher muito bonita, tinha um belo corpo. Num momento de fraqueza, o Edu não reagiu e juntos foram parar no quarto onde a Neusa dormia e o inevitável aconteceu.
Na Escola, Anita estava preocupada com a Neusa e resolveu ir até em casa para saber como ela estava. Ao chegar, estranhou ao ver o carro do marido estacionado em frente a casa. A porta estava apenas encostada, entrou e tudo era silêncio. Foi ao seu quarto e viu as roupas sujas do marido jogadas num canto, não encontrou o marido e sem imaginar nada, foi ao quarto da Neusa e deparou com aquela cena horrível. A porta entre aberta e os dois na cama pelados fazendo amor. Envergonhada e com muita raiva fugiu dali sem que eles notassem. Voltou para Escola, mas passou mal e fui levado ao hospital. Sua mãe foi avisada e imediatamente foi ao encontro da filha, ficou sabendo da gravidez. Embora muito nervosa, estava tudo bem com a criança. Todos queriam saber o motivo de tanto nervoso, mas ela permaneceu calada, chorando muito. O seu mundo havia desabado sobre sua cabeça e era como se uma faca estivesse cravado em seu perto e estivesse sagrando com uma dor profunda. Por amor ao seu filho que estava em seu ventre, precisava ser forte e reagir a tudo aquilo, mas estava decida a não perdoar o marido. Ao sair do hospital foi direto para a casa da mãe, que a aceitou sem fazer-lhe perguntas.
Enquanto isso, o Edu foi a Escola decidido a contar tudo a esposa e obrigá-la a colocar a Neusa para fora da casa deles. Foi informado que a Anita havia passado mal e que tinha sido levado ao hospital. Correu pra lá e não a encontrou mais. Achou que ela já estaria em casa, veio imediatamente e também não a encontrou. Aflito foi a casa dos sogros e a encontrou pálida e sem nenhum entusiasmo ao vê-lo. Tentou beijá-la e ela virou o rosto. Desesperado o Edu começou a chorar sem parar. Ele não poderia perder a única razão que ele tinha para continuar vivendo, sem ela a vida não tinha o menor sentido. Anita disse-lhe apenas que viu tudo com os seus próprios olhos e se sentia incapaz de perdoa-lo. Eram jovens, quem sabe um dia, mas no momento, o melhor seria cada um seguir seu rumo. Ele ficou sabendo da gravidez e ficou mais desesperado.
Um lindo sonho que deu certo e que agora era só tristezas, sem razão de ser, o mundo perdeu o colorido, tudo ficou cinzento e o sol não tinha mais o mesmo brilho de antes.
A Neusa, tremenda cara de pau, teve a ousadia de ir procurar a Anita e tentar se explicar, falar do seu amor pelo Edu e perdi desculpas, mas ela simplesmente acertou suas contas e a dispensou do cargo que ocupava na Escola. Desempregada resolveu lutar pelo seu amor, afinal não tinha mais o que perder. Passou a morar em uma pensão, sem emprego e sem condições para pagar o aluguel e suas despesas, resolveu ir embora, já que o Edu a odiava mortalmente por tudo que ela havia causado. Uma mulher desequilibrada e infeliz, sem nenhum escrúpulo, passou a ser vista por todos da cidade como uma pessoa ruim e destruidora de lares.
Para o Edu era triste demais não poder acompanhar a gravidez do seu filho ao lado da mulher que amava, por um simples deslize e um ato não pensado. Perdeu a alegria de viver, passou a beber muito, não ligava mais para os negócios e os prejuízos foram surgindo a cada dia.
Nasceu o filho deles, estava tudo bem com a mãe e filho. Ao saber, o Edu foi a maternidade visitá-los levando presentes e flores. Mais uma vez chorou muito ao reencontrar a sua esposa. Ao ver seu filho tão amado não conteve as lágrimas.
Ao sair do hospital foi providenciar o registro da criança, dando a ele o nome de João escolhido pela Anita em homenagem ao seu pai.
Os pais do Edu ficaram sabendo de tudo que havia acontecido e lamentavam muito ao verem o filho sofrendo arrependido. Vieram conhecer o neto João e tentar conversar com a Anita para que ela refletisse melhor sobre o casamento para o bem da criança.
Em nenhum momento, a Anita quis saber de todos os detalhes, como realmente aconteceu tudo aquilo.
Nada justificaria, mas o Edu, estando vários dias sem contato com sua esposa e provavelmente, cheio de vontade e desejos loucos, diante uma mulher bonita e sem roupa esfregando nele, não foi possível dominar seus instintos de macho. Para um homem, não deve ser fácil.
Anita estava certíssima em ficar magoada, porque sofreu duas traições, a do homem que ela amava e da sua melhor amiga, a quem confiava plenamente.
Os pais da Anita, não queriam interferirem na decisão da filha. Gostavam muito do genro, mas só a filha poderia decidi se poderia ou não perdoá-lo.
Anita, apenas 22 anos, ficou mais bonita ainda após dar a luz ao seu filho, não demorou muito, surgiram vários pretendentes.
Quanto ao Edu, apenas 24 anos, muito jovem, porém com uma aparência péssima, devido as inúmeras noites mal dormidas e bebidas após a separação.
Em uma situação como essa, ficamos de fora torcendo para que o reencontro aconteça logo e os dois possam dar continuidade aquela linda história de amor. Não depende de nós e sim dos dois se perdoarem mutuamente.
Para Anita era doloroso relembrar a todo instante daquele episódio. Apesar de constantemente analisar o ocorrido, não se sentia capaz de perdoar o deslize do marido. Foram cenas chocantes e não saiam da sua cabeça. Ver o seu grande amor aos beijos e abraços com sua melhor amiga, marcou demais a sua vida e ainda doía muito. Ela ainda o amava muito e sofria com tudo que estava acontecendo, mas continuava tocando a sua vida, se dedicando ao trabalho e ao seu filho.
O filhinho João, estava a cada dia mais lindo e esperto. Era a alegria de todos.
O Carlos, um dos recentes professores contratados da sua Escola, tinha passado muitos anos fora da cidade, estava em Salvador fazendo faculdade e trabalhando numa Empresa de telecomunicações. Concluiu o curso de administração de empresas e Letras. Veio à cidade resolver alguns probleminhas de ordem familiar e a pedido de seus pais, acabou ficando por ali. Foi contratado para dar aulas de inglês na Escola da Anita. Não era um grande salário, mas como ele estava ajudando o seu pai a tocar os negócios num supermercado da família, ficou sabendo da vaga de professor de inglês e se interessou pelo cargo. Ficou encantado com a beleza da Anita desde o início e não perdia a oportunidade de fazer-lhe elogios. A intenção do Carlos era conquistá-la e quem sabe um dia, ter a chance de fazê-la feliz.
Um jovem bonito, educado, inteligente e muito competente. As crianças o adoraram como professor pela maneira alegre e divertida de ensinar, tornando as aulas super agradáveis despertando o interesse de todos os alunos em aprender.
Ele e Anita foram vistos juntos muitas vezes, comentários foram surgindo sobre aquela amizade e chegaram aos ouvidos do Edu, que ficou mordido de muita raiva. Enciumado foi procurar Anita, discutiram e brigaram feio pelo primeira vez. Irritada Anita entrou com os papeis do divorcio, afinal já estavam separados há muito tempo e não havia possibilidade de retornarem.
Para o Edu foi um choque muito grande ao receber a visita do advogado da Anita com o pedido de divórcio. Como divórcio? Eu a amo como nunca amei nenhuma outra mulher, ela é o meu amor, a mãe do meu filho, não posso aceitar o seu pedido de divórcio. Não se conformava, estava desesperado e mais uma vez foi procurar pela Anita e quem sabe, pedir-lhe perdão novamente e mais uma chance. Acabaram brigando mais uma vez. No calor da discussão , acabaram ofendendo um ao outro com palavras duras.
As férias escolares chegaram, Anita resolveu aceitar o convite do Carlos de passar alguns dias com ele e seu filhinho João, em Salvador.
Sem saber da viagem o Edu foi procurá-la para mais uma conversa. Foi informado que ela havia viajado com o filho na companhia do Carlos e ficou louco. Saiu desnorteado com destino a Salvador, após beber muito. Sofreu um terrível acidente na estrada e ficou entre a vida e a morte. Anita foi avisada em Salvador pela sua mãe da triste tragédia.
Ao receber a notícia, Anita imediatamente retornou a sua cidade com seu filho e o Carlos. Estava muito nervosa e chorava o tempo todo. Deixou o João com sua mãe e com o Carlos fui ao hospital saber do estado que se encontrava o seu marido.
Horas, dias, meses de agonia. O Edu estava em estado de coma, correndo sério risco de morte pelos os inúmeros machucados. Para o Edu, a vida não importava mais, não reagia aos tratamentos, aumentando a preocupação dos médicos que transmitia aos familiares poucas chances de recuperação.
Seus pais e Anita ficaram o tempo todo ali no hospital. Não podiam fazer nada senão rezarem e pedi a Deus por ele. Para os médicos só por um milagre ele sairia daquela situação vivo. Iniciaram correntes de orações sensibilizados com o sofrimento dele e dos familiares. Na capela do hospital, de joelho e aos prantos, Anita fez uma promessa pedindo a Nossa Senhora Aparecida intercessão junto ao seu filho Jesus Cristo pela a vida do marido que tanto ela amava. Diante do sacrário, diante Cristo vivo em adoração ela implorou pela vida e recuperação do Edu.
Não existe tempo, lugar ou estado dos quais Deus esteja ausente. Entregar-se a Deus significa entregar-se ao amor. Essa é uma perspectiva muito difícil de se atingir quando se pensa em entrega como rendição, alguma coisa que se faz quando se perde uma guerra. Render-se é assumir uma atitude passiva. Pensamos nessa possibilidade como um sinal de fraqueza, Mas ser passivo, no sentido espiritual, é ser forte.
Para surpresa dos médicos, o Edu apresentava uma pequena melhora, ainda era cedo para um diagnostico, mas percebiam que ele estava reagindo aos tratamentos. Dias depois, as melhores se confirmaram e os médicos estavam otimistas. Ainda muito fraco e achando que não sairia vivo, o Edu se manifestou o interesse de ter uma conversa com Anita. Pediu-lhe perdão por tudo, que ela cuidasse bem do João por ele e fosse feliz com o Carlos. Mas a Anita o beijou carinhosamente e prometeu ficar ali ao lado dele aguardando sua recuperação. As lágrimas escorreram pelo rosto dele lamentando ser tarde demais, achando que não sairia vivo. Ela o animou dizendo-lhe que milagres existem e que Deus estava ao lado deles e jamais os abandonaria.
O Carlos deu todo apoio a Anita, ele a amava e queria o melhor para ela, sabia que a sua felicidade era ficar ao lado do marido e do filho e resolveu retornar à Salvador e viver por lá, deixando-a livre para fazer sua escolha.
Anita tomou uma decisão definitiva. Retornou para sua casa, para seu ninho de amor, onde viveram momentos lindos e inesquecíveis, apagando todos as lembranças tristes. Ela ajeitou tudo com cuidado e carinho para aguardar o retorno do seu marido.
No hospital, o Edu embora debilitado, estava fora de perigo para a alegria de todos. Dias depois, estava de volta ao seu lar.
A felicidade era tanta, que mesmo sem poder direito, se ajoelhou e rezou agradecendo ao Poderosíssimo Deus misericordioso pela graça alcançada.
O João, feliz da vida corria de um lado para outro, curtindo a casa e seus pais juntos e felizes.
Tiveram mais 3 filhos, ficando dois meninos e duas meninas. Os negócios do Edu iam de vento em popas. Anita também continuou na direção da sua Escola, sem deixar de lado, em nenhum momento, a sua linda e adorável família.
O Edu, só viajava com a família reunida e nunca mais quis ficar um só momento longe do seu grande amor, a mulher dos seus sonhos, a companheira pra vida inteira.
O amor não conquista todas as coisas, mas de fato coloca tudo no lugar certo.
Edu e a Anita tiveram a chance de corrigirem um erro do passado e foram felizes para sempre.

domingo, 18 de outubro de 2009

SIMPLESMENTE MARIA, MÃE E AMIGA


SIMPLESMENTE MARIA entre muitas marias que existem
Carregava consigo, a simplicidade e a beleza do nome, deixando marcas na areia, no asfaltos e em todo o chão por onde passava, com seu jeito único de ser simplesmente Maria, menina e mulher, gente como a gente que se fez presente nesse mundão de muitas histórias.
Maria nasceu num povoado por nome paulista que fica no interior da Bahia, município de Saúde.
Naquele pequeno lugar, ela viveu até a sua adolescência. Uma família imensa, tinha muitos irmãos. Sua mãe, em um de seus partos, veio a falecer. Cresceu sem a companhia materna. Seu pai casou-se com Ágda, que também havia ficado viúva de seu primeiro marido. Uma família que já era imensa, tornou-se bem maior. Tudo parecia perfeito, tocavam a vida sem problemas. Umas das irmãs, sofreu um mal súbito e morreu misteriosamente em pouco tempo. Foi um baque enorme para aquela família e mal estavam tentando se conformarem com aquela situação, acontece um acidente com um dos irmãos que trabalhava na linha do trem. Suas pernas foram decepadas e não resistiu aos ferimentos e veio a falecer. Mais uma tragédia marcava a vida daquela família. Unidos tentaram amenizar o sofrimento e prosseguirem firmes com fé e esperanças em dias melhores.
Maria se apaixonou em silêncio pelo Miguel, um dos filhos da Ágda, esposa de seu pai. Esse filho, não veio morar com a mãe em sua nova casa. Ele também sentia algo pela Maria e achou por bem manter-se afastado. Na época, Miguel era quase um menino, mas resolveu ganhar a vida nos garimpos. Com trabalho duro, conseguiu muito dinheiro, ajudou a sua mãe e passou a curtir sua juventude de uma maneira saudável. Divertiu-se o quanto pode, até chegar o momento de pensar em constituir família. Miguel conhecia todo o tipo de mulheres, mas sabia que de todas, a Maria seria a companheira ideal para ser a mãe dos seus filhos. Oficializou o pedido de casamento e tempos depois, se casaram e vieram morar em Jequitibá.
Pouco tempo depois, o seu pai veio a falecer, para a tristeza de todos. Ágda, mais uma vez viúva, veio morar com eles em Jequitibá. Nora e sogra sempre se deram bem e não houve problemas para a convivência do casal. Infelizmente a Agda só presenciou o nascimento do primeiro filho do casal, o Francisco, faleceu também.
Maria sempre foi do tipo de pessoa incapaz de demonstrar-se abalada por pior que fosse a situação, sempre mantinha-se calma, muitas vezes foi julgada insensível e até mesmo boba e sem atitude. Talvez fosse uma forma que ela encontrou para enfrentar as inúmeras situações que surgiram no decorrer da sua vida.
Uma santa mulher que só viveu para fazer o bem. Para ela, não havia dificuldade pra nada, qualquer hora do dia ou da noite tinha a mesma disposição.
Um exemplo de mulher e de ser humano. Sempre calada escutava a todos com atenção, dificilmente dava a sua opinião, concordava apenas na maioria das vezes.
Conservou o semblante suave e meigo e a beleza natural de uma mulher e mãe.
Quem conheceu essa pessoa linda, sabe que tudo que escrevi é a mais pura verdade. Com sua enorme humildade, com tamanha grandeza e bondade no coração, deixou marcas profundas e lições de vida pra todos nós.
Mãe, tu cumpriste sua missão aqui na terra, resta-nos cumprir a nossa, na esperença de encontrá-la um dia na eternidade.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

UMA SIMPLES HOMENAGEM AO MEU PAI


Pai, foste para ares mais livres e climas mais doces, onde não é difícil ver que as dádivas que deste enquanto viveu, foram guardadas para ti.
A saudade é tanta que chega a apertar o coração, mas o que me conforta é saber que a morte não é o fim e sim o despertar para uma vida onde não há dor, só a paz do Senhor, nosso Deus. Ele sabe o que faz, que seja feita a Sua vontade, assim na terra como no céu.
Meu pai era um sábio, apesar de ser um homem humilde, carregava consigo o poder da palavra e sabia usá-la com segurança e firmeza. Nas diversas situações vividas, agia por impulso, estava sempre pronta a tomar a decisão certa na hora exata, como se já estivesse sempre preparado a agir repentinamente. Não é à toa que ele se transformou em meu heroi. Presenciei muitas situações que me deixaram fascinada.
Certo dia, numa festa junina, estávamos todos reunidos em uma casa, comemorando com alegria o São João. Muita comida, bebidas e muito forró. Na época, eu era criança, estava ali me divertindo com os meus irmãos e minha mãe. Nesse tipo de festa há sempre homens que bebem demais e sempre arrumam confuções. O Sr. Batista, que bebia muito, virou o valentão e queria bater em todos ali, com uma faca ameaçava furar todos, mulheres e homens tentavam acalmá-lo, foram espancados. Uma correria danada. Meu pai estava em casa, ouviu a gritaria e chegou a tempo de evitar uma tragédia; no momento que o tal homem levantou o braço para apunhalar uma pessoa, foi segurado pelo meu pai, que apareceu inesperadamente. Tomou a faca e o levou para longe dalí. A festa continuou até o amanhecer.
Tempos depois, o tal homem bebeu novamente e resolveu acertar as contas com o meu pai. A notícia se espalhou por toda a região e chegou aos ouvidos do meu pai, que aparentemente ficou super calmo e não demonstrou nenhum medo, de mãos limpas ficou esperando. Todos ali sabiam da fama do Sr. Batista. Era um homem temido por todos, aguns diziam que ele já havia matado um homem em Pernanbuco e não era do tipo de deixar barato uma ofensa. Meus irmãos mais velhos, adolescentes na época, cada um pega um pau enorme, prontos para defenderem o meu pai, que estava ali desarmado. Uma confusao danada, todos temiam o pior. Muitas pessoas tantavam acalmar o homem, mas ele estava espumando de raiva e dizia que só saía dalí quando o Miguel estivesse estirado no chão morto na frente de todos. Nesse dia eu tive muito medo. Meu pai e todos nós ficamos em casa, aguardando o desfecho daquele situação. Gritos anunciava a chegada do homem enfurecido, ele estava com uma faça enorme que brilhava de tão amolada. Calmamente o meu pai se apresentou. Como todo bêbado valentão, disse: “Miguel, ninguém bate num homem como eu e sai impune, hoje você morrerá na frente dos seus filhos”. Meu pai muito esperto, agiu com calma, atento aos movimentos do tal homem. Se ele estava com medo não deu para perceber, mas todos nós estávamos tremendo. Meu pai pediu para todos os filhos se afastarem e ali começou a luta. O homem tentando furar o meu pai e ele pulando de um lado para outro, em um dos saltos agarrou o homem brilhantemente, como um vencedor, tomou a enorme faça e deixou-o sem ação: desarmado e desmoralizado perante todos. O bonito de tudo isso é que em nenhum momento, o meu pai se vangloriou, contando vantagens e atribuiu aquele episódio ao desequilíbrio causado pela bebida.


Quando o meu pai estava prestes a completar 70 anos, manifestou o desejo de comemorar seu aniversário com sua família e amigos. Antes nunca havia festejado seu aniversário e estranhamos seu desejo repentino. Organizamos a festa e estávamos felizes ao vê-lo contente com os preparativos. Aos 69 anos, estava muito bem fisicamente, disposto e vaidoso aguardava ansioso o grande dia. Naquele época, havia uma rusguinha entre ele e uma das noras. Ele achou que a festa seria o momento ideal para acabar com aquela rusga e contava com isso. Ao chegar o dia da festa, todos os filhos, netos, noras e amigos foram chegando e animação era geral, mas ele percebeu que faltava uma das suas noras, justamente aquela que não poderia faltar. Notei que ele ficou desapontado, inquieto. Resolvi ir buscar a minha cunhada. Não foi fácil convencê-la, se julgava magoada, mas insisti e ela acabou aceitando vir. Ao chegarmos, vi seus olhos brilharem, num gesto de amor e humildade, veio abraçá-la. Ele queria ficar em paz com o mundo, com todos os parentes e amigos. Aquele momento era para festejarmos a alegria. A festa foi linda, um encontro maravilhoso entre todos os filhos, minha mãe, netos, noras, parentes e amigos queridos.
A prática do perdão exige tempo integral, por mais difícil que às vezes possa ser. Poucos se saem bem sempre. O perdão é a única verdadeira chance que damos ao mundo de recomeçar. E quando mais radical for, significa que mais nos desligamos do passado, seja em relação a um relacionamento pessoal, ou a um drama coletivo qualquer.
Pai, tu foste verdadeiro e soubeste amar as pequenas coisas da vida, transformando-as grandiosas, como o seu coração.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

UMA SIMPLES HOMENSAGEM A VIVIANE



Vivi querida ... já estamos com saudades
Mais um dia que iniciava, como sempre, esperávamos que fosse mais um dia normal de trabalho, sem novidades, no entanto, uma notícia deixou-nos desolados. Ontem estivemos todos juntos, sorrimos, falamos coisas da vida e relacionadas ao trabalho, hoje você está morta. Como? A Vivi, aquela menina super jovem, cheia de vida e com tantos planos para o futuro? Pegou-nos de surpresa e ainda não digerimos muito bem essa notícia arrebatadora.
Vivi você partiu sem se despedir, nem poderia, não é mesmo? Uma despedida causaria sofrimento e você jamais provocaria algum tipo de sofrimento, por esse jeito exclusivo seu, amável, carinhosa, humana, sensível e super gente boa, uma colega admirável, uma profissional séria e competente e amiga de todos.
A família DLCV, agradece a Deus por ter nos dado o privilégio de vivermos momentos ao seu lado, poder desfrutarmos da sua maravilhosa companhia, de conhecer essa pessoa linda por dentro e por fora, mesmo que tinha sido por um momento breve, mas que durará para sempre em nossos corações. Guardaremos boas lembranças de ti e a certeza de que, foste importante e jamais será esquecida por todos nós.
Nessa última segunda-feira, assim que a você entrou ao Departamento, falei-lhe que gostaria de tirar uma foto contigo. Senti vontade apenas, você disse-me sorrindo, resolveu prestigiar uma simples monitora? Respondi-lhe, gosto muito de você, assim ficou registrado aquele momento. Poucas pessoas tem a oportunidade de expressar um sentimento puro de amizade, não pensei duas vezes e eu fui agraciada por ter tido essa iniciativa sem saber o que aconteceria depois.
Você se foi para outros ares, mas ficará pra sempre em nossos corações a doce lembrança de seu ser único e especial.
Sentiremos saudades dos bons tempos que passamos ao seu lado e relembraremos com carinho, na esperança de reencontrá-la um dia, em outro plano maior e eterno. Pois a morte nada mais é que o despertar para uma outra vida.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O SENTIR OS SENTIMENTOS

O despertar dos sentimentos


Num silêncio sobre-humano, olhar distante, uma busca no meio do nada, uma pausa no tempo, um cenário perfeito para brotar inspirações, como uma fonte de águas cristalinas que jorra água sem parar, momentos onde a beleza encanta os olhos e o coração sente-se aflorar verbos e advérbios.
Não é muito comum, mas acontece, mesmo que raramente, uma pessoa despertarmos em nós um sentimento grande e misterioso, a primeira vista, num encontro casual ou mesmo, ao lermos algo sobre essa tal pessoa. Surge um desejo de sabermos mais e a cada detalhe, por menor que seja, se torna importante, aumentando a curiosidade de sabermos mais e mais.
Perguntas soltas no ar e saem sem nenhuma direção, vão surgindo pelo meio do caminho, formando um dialético, deixando-nos atônitos, diante tamanho mistério a ser desvendados.
O gostar de uma determinada coisa. Torcer para um determinado time de futebol, levantar sua bandeira e chorar de alegria e tristezas com as vitórias e derrotas. Na escolha de um ídolo, de uma arte e tantas coisas mais, viver em função dessa escolha como motivo para a sua felicidade.
Em alguns casos, é normal encontrarmos pessoas que não nos simpatizamos, situações que deparamos ao longo da nossa caminhada.
Que fazermos diante tantos sentimentos que vão surgindo? Não podemos deixá-los de lado e sim enfrentarmos, reunirmos forças positivas eliminando sempre os pontos negativos.
Costumamos imaginar o que tornaria felizes para depois nos esforçarmos para consegui-lo. Mas a felicidade não depende de circunstâncias. Existem pessoas que têm todos os motivos do mundo para serem felizes, e no entanto isso não acontece. Porque a chave para a felicidade está na decisão de ser feliz. Há pessoas que vivem rodeadas de problemas seriíssimos e no entanto, encontraram essa chave.
Muitos se tem falado nos últimos anos sobre “sentimentos”. Na maior parte das vezes, quando as pessoas se referem a “sentir os próprios sentimentos”, referem-se aos sentimentos negativos: Sinta sua dor”, sinta sua raiva”, “sinta sua vergonha”. Mas precisamos sentir os sentimentos positivos tanto quanto os negativos.
Existe um antigo clichê que diz: “Se o corpo está vazio até a metade, ou cheio pela metade, é questão de ponto de vista.” Você pode se fixar no que há de errado em minha vida, ou no que há certo. Mas seja qual for a escolha, saiba que ela não pára por aí. Toda criação é uma extensão do pensamento.
Sentimentos ou pensamentos positivos não são tão difíceis quanto parecem. O problema está na resistência que lhes oferecemos.
O mundo nos ensina que estamos longe da perfeição. Ensina também que seria arrogante julgarmos-nos merecedores da total felicidade.
Atualmente fala-se muito na tal gripe suína, que está se alastrando pelo mundo e causando mortes.
É muito triste percebermos que a distância entre as pessoas estão crescendo, num mundo onde cada um é por si, onde a violência predomina, pessoas assustadas por toda a parte, sem sabermos em quem confiarmos, surge algo pior que a Aides, aumentando a frieza entre as pessoas.
Será um alerta? Creio eu, que a maior ameaça que estamos passando, é a terrível falta de humanidade, sentimentos bons, falta de amor entre os povos e as nações.
O medo de tudo e de todos, aumentando a insegurança por toda a parte, impedindo de sermos felizes como Deus quer que sejamos.
A doença do momento, veio para chamarmos a atenção, revermos nossos princípios, um convite a nos aproximarmos mais de Deus e de seus preceitos.
A gripe suína está solta no ar e causando pânico. O único sentimento que toma conta de todos, é o medo.
É possível vivermos felizes diante todos esses problemas? Não há nenhuma fórmula à venda para a tão sonhada e desejada felicidade, mas para morrermos, basta estarmos vivos, chegará o dia de cada um de nós, não devemos entrarmos em desesperos, apenas seguirmos os cuidados normais de higiene, alimentação, evitando abusos, mas principalmente, tentando fazer dessa passagem aqui na terra algo de bom e útil, com solidariedade, humildade e amor no coração. Com certeza a felicidade pintará a sua vida das cores mais lindas que há no mundo.