domingo, 16 de fevereiro de 2014

ÉRAMOS SETE IRMÃOS

Meu pai orgulhosamente dizia: Francisco meu, Zeca meu, Tonho meu, Manoelito meu, Luís meu, Helena minha e Armando meu. A família do Seu Miguel, conhecida na região de Mundo Novo, Ruy Barbosa e cidades vizinhas. Ser filho do Sr. Miguel era de uma responsabilidade imensa. Meus irmãos não podiam fazer nenhuma travessura. Filho do Seu Miguel? Nem parece ser filho do Sr. Miguel, não acredito que é filho do Sr. Miguel. Se houvesse um grupinho e um dos filhos de Miguel estivesse no meio, os comentários seriam destinados aos filhos do Sr. Miguel como os culpados. Naquela época, não compreendíamos muito bem, mas já sabíamos que o simples fato de sermos filhos do respeitado MIGUEL tinha suas vantagens e desvantagens. Ouvi muitas vezes o meu pai contar a seguinte historinha, de tanto ele contar para as pessoas, confesso-lhes ficava sem jeito, já sabia de cor e salteado: Quando minha mãe ficou grávida pela nona vez, mais uma vez cheio de esperanças e com uma vontade danada de ter uma menininha, não se conteve em fazer um propósito, uma espécie de promessa, prometeu fazer dois enxovais, um bem simples de um tecido ordinário que existia na época, “chita” e outro bem sofisticado. Se fosse menina usaria o enxoval bonito e bom, mas se fosse menino usaria o enxoval simples e doaria o outro enxoval. Coisas de Miguel, uma demonstração de simplicidade e da força imensa de uma vontade sendo realizada. Para a felicidade dele principalmente a parteira anunciou a chegada da filha tão desejada. Minha mãe era uma santa mulher, para ela pouco importava se era homem ou mulher, ela amaria do mesmo jeito, como nos amou com grandeza e sabedoria em todos os dias de sua vida. Bons tempos, coisas que foram ficando lá atrás, impossível não sentir saudades desses anos dourados, onde a simplicidade, a inocência habitavam em nosso ser e fazíamos seres completos e felizes. JEQUITIBÁ era nosso paraíso, uma época que havia fartura, água em abundância. Num dia normal de trabalho era bonito de se ver. Sempre gostei de contemplar a beleza da natureza e do corre, corre diário de cima de uma janela da minha casa. Logo cedinho o Irmão Ubaldo descia a ladeira do mosteiro para trabalhar com o Sr. Argemiro na serralheria, onde faziam lindos móveis, do outro lado Irmão Martinho com o meu tio Fidélis trabalhando com máquinas de cerrar madeiras. Meu pai comandava o MOTOR e a oficina, acordava de madrugada para fornecer a luz elétrica para os Padres rezarem. Uma serviço de muita valia para aquele lugar. Carros de boi transportando coisas, tratores e trabalhadores circulando em direção as suas funções. Vaqueiros cuidando do gado, boiadas imensas. No chafariz central muitas mulheres lavando roupas e cantarolando. Crianças e adolescentes em direção a Escola Santa Isabel e o entra e sai na pensão de Dona Juventina. Quem viveu lá ou passou por lá para estudar no Mosteiro, teve o privilégio de presenciar esse cenário incrivelmente lindo e maravilhoso. Os filhos de Miguel: Éramos sete irmãos, hoje apenas cinco. O Manoelito como chamava o meu pai e o Antônio Moreira, partiram para eternidade em 2013 e deixaram uma saudade do tamanho do mundo, foram ao encontro dos nossos pais e estão felizes por lá, creio nisso.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

UMA PALAVRINHA DE CARINHO AOS MEUS COLEGAS DE TRABALHO!

Já estou com saudades. Foram anos e anos de trabalho na FFLCH, convivendo com pessoas bacanas e amigas, uma imensa família. Estou aguardando a publicação da minha aposentadoria, sinto até um friozinho na barriga, uma sensação esquisita. Não é fácil não, para isso é necessário manter-se firme e se apegar muito com Deus, para digerir essa coisa sem causar má digestão. Estou bem gente e certa de que realmente chegou o momento de sair. Ficar mais um pouco seria como adiar mais e mais o inevitável. Agora ou mais tarde não será fácil a despedida e nesse momento é o que eu quero para mim. Não tenho planos, mas de uma coisa eu tenho certeza, estou muito bem comigo mesma. Sentirei saudades de todos, todos mesmo, sem excluir ninguém, todos foram importantes e os guardarei com um carinho enorme em meu coração.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

TANTO TEMPO SEM O MEU PAI AQUI COMIGO!

Pai! Quanta saudade de ti, uma saudade boa que vem com recordações marcantes de sua estadia entre nós, que partiu sem ao menos se despedir e deixou esse vazio imenso em nosso coração. Tristeza não combina contigo, sua alegria era contagiante, nos envolvia e continuará nos envolvendo, permanece entre nós, dando-nos coragem para lutar pela vida, determinação e muita esperança de dias melhores, onde reine a paz e o amor entre os povos nesse mundo cheio de dor. MIGUEL FRANCISCO DOS SANTOS, meu pai, meu melhor amigo, meu ídolo, meu grande amor, meu modelo de pessoa humana, a maior e mais bela demonstração do mais puro amor, uma admiração tão grande que mal cabia em meu pequeno coração. Quero prestar uma simples homenagem a esse homem maravilhoso e de uma sabedoria invejável, que marcou a minha vida para sempre e que me ensinou a cultivar o AMOR em meu coração e a preservar a serenidade e humildade com muita Fé em nosso Pai maior que está no Céu, nosso Deus misericordioso que nos acolhe e nos ama infinitamente. Hoje é aniversário de morte do meu PAI, anos se passaram, mas ele continua presente em meu coração, sinto uma saudade danada, mas permaneço firme, sei que ele de onde estiver estará nos dando forças, sinto isso agora, embora as lágrimas insistam em rolarem pelo meu rosto, expressando essa saudade do tamanho do mundo. Sabem como me chamavam na Bahia? Lena do Sr. Miguel e acontecia o mesmo com os meus irmãos, filhos de Miguel, era bom demais, sentíamos seguros e protegidos. Que saudade de ti MIGUEL! MEU BOM PAI, NOSSO AMIGO DE TODAS AS HORAS, TODOS OS MOMENTOS, UM HOMEM MARCANTE POR ONDE PASSAVA E QUE DEIXOU SAUDADES.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

DESPEDIDA - O início de uma nova era

Algo novo está por vir, uma nova era está surgindo à minha frente. Nesse momento quero reunir forças positivas, encher o meu peito do mais puro ar e ir soltando lentamente, como uma brisa a soprar suavemente numa manhã festiva de setembro, abrir os braços para o mundo, com muito calma nessa hora, deixar fluir de leve, sem pressas, digerir aos poucos, saboreando cada momento, observando tudo que está girando em volta, para não deixar passar despercebido, qualquer detalhe desse momento tão importante para minha vida, onde se fecha portas e abrem-se janelas. Partir é preciso, não posso mais ficar aqui, tenho que aprender mais essa lição, algo novo, encerrar uma etapa da minha vida e ter audácia para iniciar outra, não com a mesma coragem e vigor de quando cheguei aqui um dia, anos se passaram e é impossível permanecer com a mesma disposição da juventude, mas com certeza de que, enquanto há vida, haverá razões para sonhar, ter esperanças e sentir-se de bem com o mundo e certa de que, valerá a pena viver cada instante com a mesma alegria de outrora. Sensação esquisita, jamais experimentada antes, só quem já passou por essa situação poderá compreender o que estou sentido nesse exato momento. O ciclo da vida é o desabrochar de uma primavera cheia de encanto e beleza, onde desperta um mundo mágico, encantado e festivo entre plumas e paetês, acontece o espetáculo da vida, do viver e do amar as pequenas coisas, pequenos gestos, o querer bem e a amizade pura e desinteressada. Viver é mais que existir é poder alegrar-se com as conquistas e derrotas, dar valor a cada espaço construído e conquistado com sabedoria e cautela, valorizando cada momento como se fosse um grande e valiosíssimo tesouro, a coisa mais fantástica do mundo, tão lindo e misterioso, que muitas vezes não compreendemos de imediato, o nascer, envelhecer e o morrer, entramos em conflitos algumas vezes, pinta a insegurança ocasionando a tal depressão, coisa comum hoje em dia, mas que é preciso combater, ir a busca de soluções para as tais situações. Passei os melhores anos da minha vida aqui na USP. Anos de aprendizado e luta, no corre, corre diário, com disposição e muita esperança, se desdobrando em mil para cumprir todas às tarefas de dona de casa e as minhas obrigações de trabalho, com dedicação e responsabilidade. Pensava na aposentadoria como algo num futuro longínquo, tão distante e nunca atinara que os anos passariam tão rápido, que toda a minha juventude ficaria lá atrás num piscar de olhos. Nesse momento é como se a minha frente tivesse uma tela gigante, esporadicamente vão passando os momentos aqui passados. Foram tantos momentos, passei por inúmeras situações, boas e ruins, mas que valeu a pena, cada instante. Isso é viver e eu vivi com categoria cada segundo. Minha chegada aqui na USP se tornou histórica pelo falecimento do Diretor Prof. Eurípides. Meio assustada fui ao velório e lá fui apresentada para algumas pessoas que ali estavam. Recém-chegada da Bahia, tentando se adaptar à cidade grande, com a cabecinha cheia de sonhos e um desejo maluco de construi-los e torna-los realidade. Tempos bons que deixaram saudades, muita coisa mudou. É natural haver mudanças e serão sempre bem-vindas quando se tratam de melhorias, renovações. Sinto-me privilegiada por ter tido a graça de vivenciar tempos passados e os novos tempos com o avanço cada vez mais da tecnologia. Cada tempo tem seu encanto e cada povo vive seu momento. Que bom que há motivos dos quais devo sentir saudades, isso é sem dúvida, maravilhoso, pior seria se não tivesse do que sentir saudades. Minha vida está marcada por acontecimentos incríveis, relembro de cada passagem, daria um livro imenso, uma biografia e tanto. Muitas emoções, alguns fatos tristes, mas as maiorias foram de alegria, satisfação e muitas risadas. Obrigada gente, ficarei por perto, não se esqueçam de mim, se puderem. Tristeza não, sensação de dever cumprido. Não acumulei bens materiais, mas com certeza, me sinto feliz e de bem comigo mesma e com o mundo. O meu abraço a todos!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Homenagem ao meu querido irmão É impossível não chorar nesse momento, meu irmão! Mas ao mesmo tempo, sinto-me feliz, por ter tido o privilégio de acompanha-lo nos momentos mais difíceis de sua vida, ter te ouvido desabar as agruras da vida e saber que tinha muito sentimento e uma bondade invejável. A sua alegria era contagiante, tinha consciência da fragilidade da sua doença, mas sempre soube valorizar a vida, como um prêmio maravilhoso dado por Deus, fazia jus a sua estadia aqui na terra, com atitudes e uma enorme capacidade de amar todos que o cercava. Não foi muito bem compreendido por alguns, mas a grande parte dos que o conheceram, souberam desse seu jeito incrivelmente lindo de ser. Que coisa bonita saber do seu imenso amor pelos nossos pais, pois brigava com qualquer pessoa que fizesse qualquer comentário desfavorável pelo pai e pela mãe. Isso faz com que eu o considere especial, um ser diferenciado, que soube aproveitar cada instante de sua vida, com humanidade, respeito e muita Fé em Deus, devoção a Nossa Senhora Aparecida, a São Cosme de Damião, por ser gêmeo ... herdou .. da minha mãe essa devoção. Carregarei comigo meu irmão, as horas que você abriu seu coração e revelou coisas íntimas, que se sentiu tocado emocionalmente pela falta de sensibilidade de algumas pessoas. Meu amor, hoje você sabe que valeu a pena todo seu sofrimento, nada foi em vão e o merecimento vem das Mãos desse pai misericordioso que nos ama infinitamente. Preciso tocar a minha vida e saber amar, amar, viver como nossos pais nos ensinaram, valorizando as pequenas coisas e transformando-as em grandes, sem ódio e sem rancor, com muita fé e esperanças no coração, de dias ricos de bondade, cumprir a nossa missão que Deus nos encarregou, aguardando o reencontro eterno, onde a alegria e o amor caminharão juntos de mãos dadas. Tinho, não sei se homenageio ou agradeço pelo seu amor, por ter sido o melhor irmão do mundo, por ter deixado a minha vida mais bonita, por ter me ensinado tantas coisas, por gostar de viver, por me fazer tantos elogios sempre, mesmo sem eu os merecer, por enxugar as minhas lágrimas nos momentos tristes e por ficar feliz com simples sorriso meu. Ajuda-me superar, nunca soube lidar muito bem com perdas e eu preciso aprender para continuar vivendo, dói muito, eu sei disso, mas a vida continua e enquanto vida tiver, temos a obrigação de encontrarmos razões para sorrir, amar e sermos felizes, agradecidos pelo dom da vida e pelo amor imenso que o Pai Celestial tem por todos nós. Obrigada Meu Deus por estar comigo nesse momento, dando-me conforto, carinho e amor, pois a morte não é o fim e sim o começo de uma nova vida, muito mais bonita, mais intensa e cheia de brilhos. Que a PAZ e o AMOR de DEUS permaneçam entre nós. Amém

domingo, 3 de junho de 2012

OLHANDO PARA O CÉU EM BUSCA DE RESPOSTA

Quero entrar em sintonia com o meu “eu”, saber o que se passas lá no mais íntimo da minha alma, escutar a voz do meu coração, colocar pra fora todos os sentimentos e assim, tentar compreender melhor os conflitos que há em mim. Sinto que necessito desse espaço, um momento de reflexão, um balanço geral das minhas atitudes, em busca de forças para superar todos os obstáculos, que surgem à minha frente no dia-dia. Eu perdi algo, essa sensação de perda me perturba, preciso recobrar os sentidos para poder ter de volta, o sabor pela vida. Na minha infância e adolescência, carregava comigo uma força oculta, sentia a presença do meu anjo da guarda, que estava ao meu lado em qualquer situação, dando-me forças e transmitindo-me o mais puro amor pelas pessoas e pelo mundo. Tornei-me adulta. Cadê aquela Maria Helena, ou simplesmente Lena, filha do Sr. Miguel, conhecida por muitos, lá na nossa terra, como uma grande família, pessoas amigas ligadas por um imenso laço de amizade e respeito. Pois é, continuo aqui, não mais uma menina, uma mulher adulta, mãe e avó, mas muita coisa mudou de lá pra cá. Anos e anos se passaram, quantas coisas ficaram para trás, mas trago comigo, a certeza de que tudo nessa vida tudo passa, afinal estamos de passagem nesse mundo e vale a pena viver cada segundo como se fosse o último a ser vivido, plantando e cultivando boas sementes por onde passar. Não sou do tipo super mulher, tenho muitos defeitos e fraquezas, acho até, que vivo como um peixe fora d’água, não dá uma dentro e estou sempre sendo enganada pelas pessoas. Passei a minha vida inteira sonhando e acreditando que um dia esses sonhos tornariam realidade. Acreditei tanto e dei asas a minha imaginação, mas o tempo foi se passando e algo me dizia: calma Lena, esse dia chegará. Hoje compreendi que, havia errado em minhas buscas, no meu querer e faltou-me sabedoria para decifrar o significado dos meus sonhos reais, eles revelavam cada passo que eu deveria seguir como e onde encontrar a chave de todos os mistérios que envolvem a minha existência. Onde eu errei? Diga-me meu Deus? Não sou inteligente o suficiente para compreender tamanhos mistérios. Sinto-me confusa, tento fugir, para não admitir a minha fragilidade humana. Vem o medo mais uma vez e acabo cometendo mais e mais erros. Sinto-me perdida numa selva, com medo de ser devorada a qualquer momento por uma fera, não encontro o caminho de volta para casa, sinto frio e as lágrimas escorrem como um rio de lágrimas. Uma sensação de perda total, um caminho sem voltas, final de linha. Vejo o tempo passando velozmente e sinto que já não tenho tanto tempo disponível. No adiantado da hora, imploro por uma luz para me guiar e sair da escuridão. Quem na vida nunca se sentiu assim? Crise existencial, complexo de inferioridade, insegurança, carência ou coisa parecida? Não sou a primeira e não serei a última a sentir-se perdida e sem rumo, cheia de dúvidas e com muito mais medo da vida do que da morte. Pode ser normal, mas nunca devemos fazer desses momentos, um agouro permanente ou uma desculpa para justificar a sua insatisfação por algo que não aconteceu do jeito que você desejava. Isso mesmo, isso vale pra você também Maria Helena, não entre nessa, não seja injusta com Deus e com você mesma. Se as coisas não andam bem, vão melhorar tenha certeza disso, não perca a esperança e pense com firmeza, dias melhores virão e tudo ficará bem novamente. De volta à realidade, a vida e a capacidade de sonhar, pois a vida sem sonhos deixa de ser vida e passa a ser apenas uma existência vazia, sem dor e sem prazer, sem tristezas e nem alegrias.

segunda-feira, 23 de abril de 2012