sábado, 14 de maio de 2016

O mistério de um olhar e a arte de sonhar

Há um mistério no ar, um simples olhar, revela-nos pensamentos e pode nos transmitir inúmeras mensagens, de amor, inveja, rancor, bondade e até mesmo maldades.
Muitos julgam-se capazes de ler pensamentos, mas cada pessoa, com um mínimo de sensibilidade, é capaz de descobrir, sem muito esforço, a verdade escondida nos olhos, mas para isso há métodos e profissionais especializados nessa prática através de estudos.
O mistério existe, envolve pessoas através de crenças, na maioria das vezes, se baseando no sobrenatural, de forma doentia e prejudicial a própria existência do ser humano.
Luiza, uma jovem simples e estudiosa, passou a se interessar pelo assunto polêmico, desenvolveu pesquisas, em busca de conhecimentos, com o objetivo de esclarecer as pessoas, que o mau, poderia estar na mente de cada um, que os olhos, apenas transmitiam esses sentimentos ruins.
Naquela região, falava-se em “mau olhado”. Era costume, todas as mães levarem seus filhos para benzerem de “mau olhado”. Crianças tomadas por este mal, ficavam largadas, com febre alta, etc. Logo após se benzerem, as crianças melhoravam.
Houve um caso interessante: Um conhecido Professor por nome Fidelsino, estudioso e nem um pouco religioso que contava uma história para seus alunos, dentre os alunos estava a Luiza, que atentamente ouviu o relato. “Segundo o professor, nasceu sua filha para a alegria de toda a família. O citado professor era irmão de um médico famoso, na época já era falecido, mas a fama havia ficado. Contava com outros médicos na família. Uma família de pose, fazia parte da elite da cidade. A menina era muito bonita e todos a admirava pela beleza e esperteza. Um certo dia, chegou a sua casa, uma senhora que disse, “que menina bonita! ” A partir daí a menina ficou doente, chorava muito e não comia nada, com febre alta. Foi levada aos melhores médicos da cidade, mas não havia melhora, não descobriam o que a menina tinha. O pai preocupado, saiu para providenciar um helicóptero para leva-la à Salvador com urgência. A mãe da menina, sem que o pai soubesse, pois sabia que ele não a deixaria, a levou a um benzedor, assim que terminou o ritual, a menina começou a melhorar. Quando o pai chegou, com tudo pronto para levá-la à Salvador, a menina estava boa correndo de um lado para o outro. Ele abraçou a filha chorando de alegria. No depoimento emocionado, ele admitiu que passou a acreditar na existência de mau olhado, por experiência própria.
Luiza, foi criada dentro de princípios religiosos, dentro do catolicismo, participava dos trabalhos da Igreja, voltado para as pessoas carentes. Nasceu ali o interesse de se formar em psicologia, para poder ajudar a semear nos corações a bela semente do amor, com fé e acreditando num amanhã melhor para todos.
Lidar com pessoas, não é e nunca foi tarefa muito fácil, mas apesar das dificuldades, ela persistia com determinação e coragem, encarando como uma missão sua, aqui na terra. Houve até ação de invejosos que tentaram denigrir sua imagem por pura maldade, insinuações maliciosas a sua conduta de boa moça, para prejudicá-la perante a sociedade.
Luiza tinha o dom de sonhar, através de sua mente construiu um mundo fantástico e encantado, para proporcionar alegria ao povo menos favorecidos, com diversões para adultos e crianças. Antes e depois das brincadeiras, faziam orações em agradecimentos a Deus por fazerem parte do universo e pela visão ampla da grandeza e beleza da natureza.
A Luiza ficou tão feliz ao ser convidada para ser madrinha do Antônio Carlos, filho de Dalva e Elias. Um batizado simples, porém, muito bonito. Festejaram com bolos e sucos.
Tempos depois, Luiza fez uma viagem, onde passaria alguns meses. Num determinado dia, ao anoitecer, ela estava sentada na varanda lendo um livro, de repente, pela janela aberta, entra um besouro e dar uma picada no dedão do pé, que logo ficou bastante inchado. Doía muito, apesar da dor, ela pressentiu algo ruim, um aperto enorme no peito, tristeza e uma vontade imensa de chorar. Dias depois, recebe a notícia do falecimento do seu afilhadinho, no mesmo dia e praticamente na mesma hora que ela tinha sido picada pelo besouro. Uma ligação forte entre afilhado e madrinha, embora ainda fosse uma criança pequena. Segundo comentários, a criança estava com vermes e a mãe deu-lhe uma dosagem a mais do remédio, que resultou no óbito da criança.
Por ser muito observadora, Luiza considerava que tudo na vida, tinha uma razão de ser, que ninguém era totalmente ruim, que a própria situação de vida, costumes, educação e outros fatores levavam a pessoas agirem erradamente, mas ao mesmo tempo, admitia na existência do bem e do mal, mas acreditava que o bem venceria sempre.
A Luiza conheceu um casal, que misteriosamente demonstraram a intenção de aproximação de amizade. Com educação e respeito não questionou os motivos que os levaram a se interessarem numa aproximação. Tinham três filhos, a mulher cuidava da casa e dos filhos e o homem trabalhava no correio da cidade, nas horas vagas, era pipoqueiro para complementar a renda familiar.
Luiza estava sempre fazendo algo, gostava de ler e escrever e se ariscava em desenhar lindas paisagens e ampliar fotos manualmente. O casal, logo se interessaram pelas paisagens, de tanto insistirem, ganharam uma paisagem de presente. Puseram uma moldura e colocaram na parede da sala da casa deles. Eles cobravam insistentemente a presença da Luiza, não compreendiam que ela preferia ocupar o seu tempo fazendo as coisas que lhe davam prazer, não gostava de ficar jogando conversa fora, era o jeito dela, sem querer menosprezá-los afastou-se. A mulher compreendeu, mas o marido se sentiu ofendido e mandou chamá-la em sua casa e disse-lhe coisas absurdas e sem fundamentos. Na presença da sua esposa, afirmou que a Luiza havia se insinuado para ele, com olhares de mulher traíra. Luzia simplesmente deu as costas sem dizer uma palavra se quer. Dias depois, o mesmo homem a procura para se desculpar e confessar que estava enfeitiçado por ela e que não suportava sua indiferença.
Para Luiza, não foi fácil essa situação. Ele já tinha demonstrado do que ele era capaz, embora bem jovem, preferiu manter em silêncio e rezar na intenção dos dois.
No Colégio, notou que um colega de classe, a olhava continuamente, um garoto bonitinho, era bem alegre e brincalhão com as demais colegas, menos com ela, apenas a olhava sem dizer qualquer palavra. Ela percebeu no seu olhar um certo interesse e era recíproco, na época, as meninas esperavam os meninos tomarem a iniciativa, aguardava silenciosamente, até que, um dia, ela ouviu um desabafo dele com uma colega mais velha, dizendo: “ A Luiza se julga melhor do que todo mundo, não gosto dela, ela é metida a besta, mas há no seu olhar, algo que me fascina e me deixa louco de uma forma assustadora. A partir dali ela achou melhor mantê-lo bem longe. Ainda por cima, ficou nervoso quando a moça lhe disse que ele estava apaixonado e disse-lhe coisas horríveis.
Engraçado, o seu colega também se referia a seus olhos com medo de algo, talvez não fosse digno de um sentimento puro e o único mistério que havia neles, era a grandeza de enxergar o mundo com amor com a intenção de combater o mal. Essas pessoas não se referiam a “mal olhado”, “olho gordo” e sim, um mistério que os envolviam, talvez numa atração física exclusivamente.
Numa bela viagem de trem, Luiza conheceu um lindo e interessante jovem, ambos trocaram olhares apaixonados, mas não se passou disso, seguiram cada um seu rumo. Numa outra viagem de trem, houve o reencontro, mas ele estava muito bem acompanhado e aparentava muito feliz ao lado da sua futura esposa.
Luiza não se abalava atoa, encarava tudo como desafios a serem vencidos, confiante seguia na certeza de um dia encontrar o seu grande amor.
Chegou a cidade, o Dr. Aurelino, para ocupar o cargo de Juiz da cidade. Com ele veio a esposa, Dona Judith, duas meninas e um menino, que foram estudar no mesmo Colégio que a Luiza estudava. As meninas se chamavam Ana e Clara e o menino tinha o mesmo nome do pai, Aurelino Junior.
Entre Luiza e Aurelino surgiu uma amizade, tinham afinidades e em pouco tempo surgiu um namorico. Os pais de ambos resolveram não interferirem por considerarem um namorinho de escola, julgando passageiro.
Luiza e Aurelino estavam apaixonados e felizes faziam planos para se casarem no futuro. Faziam juras de amor, como qualquer casal de apaixonados.
No final do curso, ambos foram para cidades diferentes. A despedida foi muito triste, mas sabiam que era necessário e que um dia estariam juntos para sempre. O tempo foi passando, passando e o reencontro foi se tornando cada vez mais difícil, a distância era imensa. Ele em Salvador-Bahia e ela em Porto Alegre – Rio Grande do Sul. Tornou-se difícil para ele retornar a Jacobina, seus pais haviam se mudado também para Salvador, pouquíssimas vezes se reencontraram pessoalmente, se correspondiam por cartas, telegramas e algumas vezes por telefone e aos poucos foi se distanciando por conta dos estudos, restando apenas as boas lembranças de um amor bonito.
A Luiza, por ser filha de uma família humilde e de pouco recurso, foi para Porto Alegre com um casal religioso e parente de um Padre da sua cidade. Devido ao seu esforço pelos estudos e seus trabalhos desenvolvidos na comunidade em prol aos mais carentes, resolveram apoia-la dando-lhe a oportunidade de custear seus estudos.
Ela ingressou na faculdade, na área de medicina e se especializou em psicologia. Muita grata ao casal que deram o primeiro empurrão, fazendo jus a ajuda, passou a executar pequenos trabalhos artesanais para ajudar nas despesas.
No último ano da faculdade, numa reunião entre amigos, foi apresentada a Laercio, um jovem dentista mineiro, que estava ali de passagem. Morava em Belo Horizonte, onde tinha seu consultório montado.
Laercio ficou encantado com o jeitinho da Luiza e não perdeu tempo, foi logo se declarando completamente apaixonado por ela. Nascia ali um romance bem bonito, ambos estavam fascinados um pelo outro, bastava vê-los suspirando e com os olhos brilhando de tanta felicidade. Não desgrudaram mais, a cada dia mais apaixonados, após um ano estavam juntinhos casados e felizes.
Foram morar em Belo Horizonte, onde receberam todo apoio dos pais do Laercio, que gostaram muito da nora e a receberam como filha. A família dela permaneceu em Jacobina, mas sempre iam visita-los em Belo Horizonte.
Laercio e Luiza viviam muito bem e felizes, ele com seu consultório dentário e ela trabalhando num hospital da cidade e logo montou também seu consultório.
Um casal perfeito, estavam sempre agradando um ao outro e viviam em clima de romance, sempre encontravam tempo para ficarem juntinhos curtindo a vida de casado e o aconchego do lar. Tiveram um casal de filho para completar a felicidade.
Havia um segredo na vida do Laercio, que só os seus pais tinham conhecimento. Ele temia revelar a sua esposa, não queria deixa-la triste e preocupada.
Em Porto Alegre, ele conheceu uma moça, muito antes da Luiza, tiveram um caso, um relacionamento complicado e tiveram um filho. Ele reconheceu o filho e pagava a pensão regularmente, nada a mais, mas a Vera não se conformava, que, queria mais e mais, tinha uma grande obsessão por ele e vivia fazia constantemente ameaças, sua intenção era em destruir seu casamento. Não suportava vê-lo feliz ao lado de outra mulher e dizia o tempo todo que era capaz de matar ou morrer por ele.
Laercio tentou contornar a situação para ganhar tempo, até surgir uma oportunidade para contar a sua esposa, só que ele não imaginou o tamanho da fúria da Vera. Veio à Belo Horizonte, aguardou a saída da secretária dele e de seu último paciente. Após uma discussão rápida, transtornada sacou a arma e deu-lhe vários tiros a queima roupa, fugindo em seguida. Sem saber de nada, como de costume, a Luiza passou no consultório do marido, para juntos retornarem para sua casa. Estranhou a porta aberta e ao entrar deparou com a cena mais horrível e dolorida da sua vida. Seu marido ensanguentado e estirado no chão. Abraçou o corpo do marido e aos prantos ligou para a polícia. Ela não tinha ideia do que havia acontecido, desnorteada deixou a cargo da polícia, mas não imaginou que ela própria seria a maior suspeita do assassinato do marido. Seus sogros desesperados com a morte dramática do filho, acabaram acusando-a alegando que ela tinha motivos para cometer o crime. Imaginaram que ela tinha descoberto tudo e revoltada havia cometido o delito. Num momento de muita dor, acabaram acusando a pessoa inocente. Luiza foi presa acusada de assassinato. Seus pais vieram buscar os netos enquanto tudo isso não fosse esclarecido. Ela sofreu humilhações e maus tratos na prisão, por um crime que não havia cometido.
Nos transes muito difíceis e amargos da vida, é quase impossível conseguir serenidade e alegria só por meio de considerações filosóficas porque a dor, a humilhação, o fracasso, a enfermidade e a morte são como astros fora de órbita, quando a separamos da eternidade e de Deus. Nesses momentos, somente a religião nos oferece explicação tranquilizadora. Unicamente à luz da eternidade se podem desprezar os sofrimentos e as humilhações humanas.
A Luiza desolada e triste, se apegou mais e mais com Deus, não fraquejou na sua Fé e confiava na providência Divina.
Um bom advogado foi solicitado por uma amiga, para defende-la daquela acusação absurda.
Este caso repercutiu por todo o país e chegou ao conhecimento do Aurelino, em Salvador, que imediatamente se interessou pelo caso, acreditando na inocência da Luiza. Veio à Belo Horizonte em solidariedade a amiga, prestar apoio e oferecer-lhe ajuda.
Não há acusação nem consolação tão forte como a da consciência e segundo a um velho ditado, não há crime perfeito, a verdade sempre aparece. Após investigações, uma carta da Vera foi descoberta, com todas as ameaças. A polícia de Porto Alegre foi acionada e iniciaram as buscas. Ela entrou em contradição, negou a princípio, mas acabou confessando o crime. Cometer injustiça é pior do que sofrê-la.
Luiza estava livre, era inocente, só lamentava o marido não ter confiado nela e assim ter evitado aquele horrível crime. Eram felizes e tinham tantas coisas para viverem juntos.
Não tinha motivos para continuar em Belo Horizonte. Os pais do seu marido deram-lhe as costas quando ela mais precisou de ajuda, apesar de não guardar rancor, compreendia o sofrimento deles, eram avós dos seus filhos, pretendia visita-los sempre que possível, mas preferiu retornar à Jacobina, sua terra natal e tocar sua vida com os seus filhos, na companhia dos seus pais e irmãos.
Em Salvador, Aurelino estava divorciado, tinha dois filhos que moravam com sua ex companheira.
Luiza tinha sido seu grande amor, deixou acalmar a situação e resolveu procurá-la para um possível entendimento.
Para Luiza, não era fácil pensar em casamento, pensava apenas no trabalho e dedicar-se ao máximo aos seus filhos. Mesmo sendo uma mulher de fé em Deus se julgava uma pessoa marcada e temia problemas futuros, expor a seus filhos em situações constrangedoras.
A volta ao amor não implica no fim, mas sim no começo dessa deliciosa aventura que é viver. Aurelino e Luiza resolveram se casar. Dizem que Deus escreve certo em linhas tortas. Quando o Aurelino se casou pela primeira vez, casou-se apenas no civil. Sua primeira esposa não era católica.
Uma grande e bela cerimônia marcou a união tão bonita entre um homem e uma mulher, que após sofrerem desafios, suspiravam aliviados e felizes.
A vida tinha sido dura demais para ela. Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe.
Lições de vida, a grandeza de sonhar com um futuro longínquo, onde provavelmente o homem atingiria a sua total perfeição.
Viver significa muito mais que habitar em um corpo. A vida é uma extensão infinita de energia, um contínuo de amor que se distribui em incontáveis dimensões, uma experiência psicológica e espiritual independente da forma física. Vivemos e viveremos para sempre. A vida em um corpo representa uma escola importante, a oportunidade de libertar o mundo do inferno. Era o grande desejo da Luiza, que lutou quanto pode, tentando transmitir mensagens de otimismo, fé e esperança por todos os cantos por onde passou, numa luta constante e árdua, para semear em todos os corações, a bela semente do amor, pois a Luz Divina ilumina todas as trevas e que após a tempestade, o campo fica muito mais bonito.
Sua presença marcante, jamais será esquecida e muitos certamente darão continuidade e seguirão o exemplo dessa mulher cheia de energias positivas que soube amar as pessoas e todo o universo, com a pureza do seu imenso e bondoso coração.
Para Aurelino e Luiza, a morte era o despertar para uma nova vida, já tinham cumprido sua missão na terra e aguardavam o chamado de Deus, com alegria, pois é este o final de todos nós aqui na terra, mas enquanto há vida, há esperanças, há alegrias e motivos para celebrarem a vida e ao amor a Deus e aos povos.
Eles um dia felizes partiram para a eternidade, deixaram saudades e a certeza que souberam viver a vida e amar com todos as forças do coração. Deixaram escritas lições de vida, que jamais serão esquecidas.

domingo, 30 de agosto de 2015

A VIDA PASSA NUM PISCAR DE OLHOS

Com o passar dos anos, percebemos nitidamente como tudo na vida passa. Será que isso é uma característica de velho? Na prática sabemos que de fato acontece assim mesmo, num vai e vem de acontecimentos, nos dias e nas noites, da semana, do mês ou mesmo do ano, mas passamos a observar cuidadosamente, como se não quiséssemos perder nenhum detalhe, uma cena se quer, para compreendermos melhor o desenrolar de cada capítulo.
Estou certa de que, a vida passa num piscar de olhos. Tudo passa tão rápido, parece até uma corrida desenfreada, uma competição de sei lá o que, para chegarmos não sei onde.
Sempre fui muito observadora. Quando criança sempre ouvia pessoas contarem piadas sobre velhos. Numa delas, uma velha bem feia, se dizia ter sido uma jovem bem bonita, uma uva e o contador de piadas dizia: “ Eu já vi lagarta virar borboleta, rato virar morcego, mas, abacaxi virar uma uva !?!…” Passava horas e horas pensando nessa situação, bem verdade que era uma piada, mas aquilo me deixava triste, sentia pena da velhinha e me colocava como defensora daquela senhorinha. Ela diz a verdade, faz parte do ciclo da vida, todos nós nascemos, crescemos e envelhecemos.
Parece que foi ontem, meus filhos pequenos e o corre-corre diário, escolas, médicos, trabalho, casa e tudo mais. Caramba, só parece viu? Se passaram anos e anos e hoje os meus filhos são adultos e já tenho netos. Isso mesmo, Julia, Bryan e Sophia por enquanto.
Passa tempo, não é de fato, passa tempo e sim o passar do tempo, vá em frente, não se importe com os questionamentos, gente que se assusta com o ponteiro que não para e gira velozmente, para acabar mais rápido e começar tudo de novo.
Relembro de tantas passagens, momentos bonitos e verdadeiros, coisas que ficaram lá atrás, deixando um aperto no peito de tanta saudade.
Minha cartilha colorida, lições aprendidas e gravadas, carrego comigo até hoje como um hino de vitória. Vejam que bonitinho: Upa, upa cavalinho, donde foi que você veio, foi de perto ou de longe, você gostou do passeio? .... Eu sei ler, eu ser ler corretamente, faço conta de somar, sou batuta em dividir, gosto de multiplicar, quando a professora escreve no quadro negro da escola, eu leio até de olhos fechados. Bom demais relembrar.
Hoje chega de correria, não sou mais jovenzinha, estou entrando na chamada melhor idade. Melhor não diria, mas tudo bem, segundo o Professor Erasmo d‘Almeida Magalhães, finge-se.
Estou aqui firme forte, aposentada e feliz, acreditando na grandeza do amor, com muita fé no Altíssimo, Nosso Deus, sonhando com um mundo bem melhor, onde haja políticos sérios e honestos, crianças brincando felizes, jovens conquistando espaços, velhos cada vez mais respeitados. Viverei cultivando essa esperança em meu coração, até o fim dos meus dias.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

UM POETA QUE CANTA E ENCANTA


Nelson poeta, veio de uma família humilde, mas cheia de brio, não importa o que não tinham, mas com certeza, tinha de sobra, muita honestidade, vontade de vencer na vida e o privilégio de sonhar, sonhar, com a poesia e com a música, um dom de Deus, algo que gritava cada vez mais alto, como se houvesse a necessidade de despertar o mundo, para as belezas que há, em cada coração amargurado, pela sede e fome de justiça.
Esse homem simples, porém, brilhante e apaixonante, desde muito cedo se denominou poeta, mas era mais conhecido por barbinha. Seu palco era a vida, atuou como radialista, mas sempre encontrou um lugarzinho agradável para declamar suas belas poesias.
Nelson, aparentemente calmo, mas havia nele uma agitação interior, não se contentava com o pouco que a vida havia reservado para si, buscava algo que nem ele mesmo sabia o que era. Uma sensação de estar preso num vazio. Ele precisava de uma liberdade interior, para isso se debruçava nos livros em busca de conhecimentos, a arte e a ciência o fascinava de tal forma, como se fosse matar sua sede e sentir-se bem e em paz consigo, com o mundo e principalmente com Deus.
Seus pais partiram para eternidade, seu irmão querido também, grandes perdas, sofreu como qualquer mortal, mas prosseguiu firma na esperança de encontra-los um dia.
Eu admiro esse homem chamado Nelson de Oliveira, que deu sua cara a tapa, se mostrou frágil e ao mesmo tempo, um gigante que não se envergonha de ser verdadeiro, se entregar ao amor, verdadeiramente de uma forma grandiosa e bonita, sem máscara, preocupado apenas em viver e fazer o bem, irradiar por onde passa, o bem em versos prosas, que canta e encanta a todos, com seu sorriso franco e amigo.
Quero declarar publicamente o meu amor a esse homem maravilhoso, Nelson de Oliveira, dizer-lhe que sou a mulher mais feliz e realizada da face da terra. Agradeço todos os dias a Deus, por esse momento mágico que estamos vivendo, com amor, cumplicidade, respeito, admiração e principalmente, aceitando as diferenças com maturidade e respeito.
Eu sou Católica Apostólica Romana. Sempre levei muito a sério a minha religião. O Nelson é espírita e também leva a sério. No início achei que seria um problema, mas logo descobrir que é possível sim, nós nos amamos e sabemos respeitar as diferenças, convivemos tão bem com isso.
Nelson, te admiro muito, sou sua fã e tenho o privilégio de conviver contigo, tê-lo ao meu lado no dia-dia, amá-lo e respeitá-lo com toda a pureza da minha alma, numa entrega perfeita e abençoada por Deus.

QUANTO TEMPO SEM O MEU PAI! QUE SAUDADE!

Existia uma grande ligação entre eu e o meu pai. Um grande homem em todos os sentidos. Grande pai e grande ser humano, a pessoa mais incrível que já conheci até hoje. Humilde e sábio. No dia que tudo aconteceu, amanheci atordoada, com uma imensa dor no peito, uma tristeza sem fim, nada estava bem, sentia uma vontade danada de chorar, chorar. Fui ao trabalho e passei o dia inteiro assim, triste, desolada. No final do dia, retornei para minha casa, ao entrar no portão, avistei o meu pai e a minha mãe sentados no sofá, costumava ir ao encontro deles, todos os dias, mas como não estava bem, não quis preocupa-los e resolvi ir direto para minha casa que ficava ao lado. O Juscelino estava em casa acabando de preparar o café, sem ânimo me sentei ali na cozinha e comecei a falar sobre aquele mal-estar. Tempos depois, minha mãe me chama na janela e diz: “Maria Helena Miguel caiu no quarto”, corri para lá e o encontrei sentado na cama. Estava nervosa e preocupada, queria saber onde estavam os documentos para levá-lo ao médico, ele mesmo me mostrou onde estava. Em seguida o Juscelino entra e o leva ao pronto socorro com o meu irmão. Tudo muito rápido, mas infelizmente ao chegar no pronto socorro estava sem vida. Até hoje eu não esqueci aquela cena. Tinha 35 anos na época, já tinha os meus três filhos, mas naquele momento, perdi completamente a vontade de viver. Foi a primeira vez que vi uma pessoa tão próxima morrer. Não estava preparada e doeu demais. Meu pai era uma pessoa marcante e embora tivesse completado 70 anos, era forte e tinha tanta disposição.
Meu pai, tu foste embora sem dizer adeus, chegou sua hora, não dava mais para ficar, cumpriste tua missão aqui na terra e foste para junto do Pai. Deixaste saudades, muita saudade, lembranças boas e inesquecíveis, que não só nós filhos guardamos com carinho, mas todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
SAUDADES DO MEU PAI! SEI QUE VOU TE AMAR ETERNAMENTE, POIS O AMOR JAMAIS MORRERÁ.

terça-feira, 30 de junho de 2015

MARCAS DO TEMPO

Viver é uma loucura gostosa e bastante complexa. Fico aqui parada, com o olhar fixo, olhando para o nada, relembrando cada passo que dei por aí a fora. Tracei inúmeros caminhos, muitas vezes sem saber a direção certa a tomar, errei e acertei, cair e levantei, sorri e chorei, como chorei! ... De medo de escuro, de assombrações e de rã. Primeiro amor, primeira decepção, sonhos interrompidos, frustrações. Ah!... Sobrevivi a tudo isso, mas ficaram marcas do tempo em minha fisionomia. Posso dizer-lhes que, já sofri um bocado e mesmo assim, me sinto feliz, por simplesmente ter vivido situações inusitadas e difíceis, sem perder a minha Fé em Deus e alegria de viver. Valeu a pena cada sorriso e cada lágrima derramada. Sou apenas mais uma pessoa, nesse emaranhado de gente, que embora viva no anonimato, sabe do seu valor e direitos como ser humano, que deseja apenas ser feliz, sem pisar em ninguém, respeitando os espaços alheios, para ser respeitada também. A espiritualidade é fundamental para qualquer ser humano. Essa é a melhor parte em mim, tudo fica imenso e belo, diante a magnífica grandeza do Senhor Deus. Eu sou assim, pura emoção, sou tomada por sentimentos que parece verter por todos os poros, capaz de chorar e sorrir, ao mesmo tempo.
Diante ti, meu glorioso Deus, pai onipotente e misericordioso, apresento-Lhe o meu coração, peço-Lhe que o lave-o com o seu sangue, limpe de todas as impurezas que há e me transforme numa nova mulher, uma serva de ti, meu Senhor, imploro o teu perdão de todos os meus pecados.
Perante a ti, meu bondoso Deus, quero entregar-te a minha vida, que seja feita a Sua vontade e não a minha, ajude-me nessa minha caminhada, livrando-me de todo o mal.
Reconheço que estou longe de atingir a perfeição, confesso-lhe que não tenho essa pretensão, basta-me saber que a cada dia estou engrenada ao processo de aprimoramento, renovação, vivendo como se estivesse o tempo todo sendo observada, monitorada por uma força maior.

domingo, 3 de maio de 2015

23 de abril é meu aniversário



Hoje percebo claramente, a dimensão desse dia e o tanto quanto é significativo para a minha existência, nesse mundo. Minha chegada, onde tudo deu início a história da minha vida, onde se somaram alegrias, descobertas, aprendizado, tristezas e perdas de pessoas tão amadas. Viver é isso. Estou aqui, hoje humildemente para agradecer a DEUS pelo dom da vida, por eu ter chegado até aqui, sã e salva, por sentir-se forte, com saúde, amando a vida e me entregando a ela com delicadeza e muito amor ao meu Divino Mestre, o Rei do universo, o amor mais puro e real que há, que habita em meu coração de forma bonita e intensa, que me faz sentir-se a cada dia agradecida por tamanhas graças recebidas, e por almejar um mundo novo, onde haja paz e amor para todos os povos e nações, pelo privilégio de ter tido pais incrivelmente apaixonantes, seres que souberam marcar presença marcante aqui na terra e que agora, certamente brilham em outra dimensão, pessoas simples e sábias, pois eram pessoas iluminadas pelo Altíssimo. Pelos meus filhos, Eduardo, Thiago e Beatriz, minha nora Malane e os meus amados netos, Bryan, Julia e Sophia. Agradeço também pelo Nelson, meu companheiro, meu amor, um presente de Deus, que tem sido essa pessoa linda que veio dar um colorido a mais a minha vida e que juntos, estamos descobrindo a grandeza de amar e ser amado, com humildade, respeito mútuo e principalmente, com fé e muita esperança em Jesus Cristo.
Em outra época, diria: caramba estou velha... Hoje pouco estou ligando se estou ou não velha. Envelhecer faz parte da vida, pior seria se tivesse morrido jovem, sem conhecer essa idade maravilhosa. Portanto, estou me sentindo ótima, cheia de vida e por que não? Bonita, sim bonita. Talvez não tão bela por fora, porém interiormente se sentindo a mulher mais bela, feliz e completa que há, com olhos abertos para a realidade, sem deixar de lado a poesia, as cores do arco íris, as flores, a natureza em geral e tudo que há de bonito nesse universo imenso.
Meus irmãos queridos, éramos sete, hoje somos apenas cinco e nos amamos muito: Francisco, Zeca, Luís e Armando. Restam-nos saudades do Tonho e do Tinho. Minhas cunhadas, Zefa, Marilene, Tina, Zilda, Tonha e Isaura.
São só agradecimentos, a todos os meus amados sobrinhos, sem esquecer de nenhum, pois todos eles são dádivas de Deus, razões da minha alegria, minha família, sem esquecer das respectivas esposas e filhos e da Lucinha.
Meu coração está em festa. Quanta alegria! Quero festejar com todos vocês! Minha tia e primos de Jequitibá e Saúde e demais parentes e amigos em geral de toda a parte.
Nesse momento, com os olhos fixos para o céu, agradeço ao meu Deus, por mais um ano de vida, por mais uma gota que cai do céu no cálice da vida, que essa gota transborde de amor e alegria por muitos e muitos anos, para que eu saiba aceitar as coisas que eu não posso modificar, coragem para modificar aquelas que eu posso e sabedoria para distinguir umas das outras.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

AURORA DA MINHA VIDA


Contemplei ramagens floridas
Pelas estradas da vida
Que um dia percorri...
Vi surgir um sol candente
Com seus raios expoentes
Na infância que vivi.

Doces fulgores de encantos,
Lindas noites com seus mantos
A juventude marcou...
No passar das primaveras
Entre o sol de novas eras
Notei que o tempo passou.

No apogeu da existência
Com toda minha vivência
Na estrada que percorri;
La nas curvas do caminho
O vento, bem de mansinho
Trouxe a brisa que senti.

E na noite que caía
Uma estrela aparecia
No seu brilho multicor...
Chegava Maria Helena
Toda elegante e serena
Vibrando canções de amor!!!

Oh!!! Aurora da minha vida
Do firmamento, surgida:
Beleza em amplidão...
Deus te guie e te ilumine
Por seu amor tão sublime
Brotado do coração!!!

Nelson de Oliveira
Mairinque
Janeiro de 2015

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

R E E N C O N T R O

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Hoje acordei feliz por demais, gostaria de contar-lhe o acontecido:
Um dia fiz um pedido ao Papai Noel, julguei até que ele houvesse se esquecido...
Deixei de lado!!! Talvez não fosse merecedora de tal graça tão almejada.
Anos e anos se passaram e cada trem que passava na estação
Levava consigo um pouco de esperança, embora triste, não me desesperava.
Chegaria o momento um dia!!!
Ao nascer da aurora fria e úmida ou ao entardecer do dia,
Vendo a noite chegar, ao contemplar o luar senti um frio na espinha e comecei a chorar...
Tornou-se outrora a gota que caiu. Era tarde demais para esperar;
No adiantado, da hora, a aurora passou.

Da noite de um sonho meu, que morria lentamente,
com pesar, vi lágrimas rolarem, num pranto sombrio,
Eis que surgiu no horizonte azul cor de anil
Um lindo cenário colorido como as cores do arco-íris
Meus olhos se abriram e fiquei maravilhada!!!
Um belo jardim a minha frente:
Colhi a mais bela flor, cheiro bom e animador.
No meio de tantas flores, ela se sentia só e tremia de frio e de dor.
Reclamava a falta de um bem, assim como eu também, buscava seu grande amor.
Saímos felizes cantarolando, de mãos dadas a caminhar pelos campos,
E todos os cantos cantarolando canções de amor ao luar!

O nosso tempo chegou, não precisamos mais esperar.
Viveremos esse amor tão somente, enfrentando os obstáculos que surgirem a nossa frente.
Todas as críticas aparentes, sem querermos afrontá-las, mas se preciso for,
brigaremos em defesa da vida e do amor!!!
Somos merecedores dos encantos e da poesia.
Faremos nossa festa, em versos e prosas, para celebramos
Encontro tão esperado e desejado por dois corações apaixonados!
Num encontro de vidas vivendo cada um num determinado lugar, porém,
Cultivando os mesmos desejos de uma forma maluca,
Movidos por uma emoção tão grande, fomos unidos por uma força maior:
Algo sublime e tão belo como o coro dos anjos no céu
Declamando os mais belos poemas, ressaltando a vida e o amor!

Poema: Autora Lena Santos de Souza

terça-feira, 25 de novembro de 2014

EM UM SÓ CORAÇÃO


Meus pensamentos tomaram formas

Anti, defronte minha musa inspiradora.

Realmente são encantos de beleza,

Irmanados do oceano de ternura,

Aos olhos da magnânima natureza.



Hoje nossas vidas se interligaram,

Elevando-nos ao mundo transcendental...

Leis de Amor regem nossa evolução!!!

Encontrando-nos, nossos olhos se cruzaram e,

Nos tornamos único ser, especial,

Amando-nos, unidos, em um só coração!!!



Nelson Poeta,19 de novembro de 2014.
Obrigada meu amor, pela linda poesia, feita com as iniciais do meu nome: Maria Helena, que é meu nome de batismo

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

UM NOVO AMANHECER EM MINHA VIDA

A Poesia esteve sempre bem perto de mim. Como não amar a poesia? Tão grande é a emoção que toma conta do meu ser, sou envolvida por um fogo que queima e transborda pelos meus poros, de uma forma magnífica, algo difícil de descrever, um sentimento lindo e imenso, um prazer que vem do nada, junto com o amor, alegria e lágrimas de pura satisfação. Estou vivendo uma linda história de amor. Asseguro-lhes que é algo além da imaginação. Há todos os estágios miraculosos vivenciados na idade mágica da adolescência, há beleza, há leveza do encanto, o perfume das flores do campo, o olhar faiscante e cheio de brilho, a emoção ao som de uma bela canção nos unindo cada vez mais. Saibam, nunca será em vão, falar de amor, esse amor real que acontece raramente de uma forma gritante, em dois corações, como se houvesse uma vida renascendo dentro de nós, uma esperança que se concretiza e se materializa, criando formas e surgindo como um novo amanhecer, com o brilho do sol, nos envolvendo com tamanha magia, algo contagiante que nos leva a loucuras boas e que nos deixa embriagados de tanto amor. Nesse momento, com os olhos fixos para o céu, agradeço ao meu Deus, por esse presente lindo, que chama-se Nelson, meu amor, minha inspiração, a razão de minha alegria terrena, a certeza da existência de um Deus, que ama infinitamente todos nós e quer que sejamos felizes. Estou certa de que, colhemos o que plantamos, quando se planta o bem o retorno é certo. Nelson meu amor, quero declarar publicamente o meu amor por você, dizer-lhe que te amar tem sido bom demais e a cada dia, sinto aumentar esse amor, já não me vejo mais sem a sua presença, sem seu cheiro, sem sua poesia e sem esse seu jeito, só seu de demonstrar amor e carinho, as delícias de amar e ser amada, de uma forma única e verdadeira. A poesia nos uniu, que essa união seja eterna e enquanto vivermos, celebraremos com alegria, essa dádiva do céu. Deus nos permitiu, a essa altura de nossa vida, saborearmos a vida de forma especial. Vivíamos em lugares diferentes e no entanto, cultivávamos os mesmos sonhos e hábitos sem sabermos a existência do outro, nos deparamos por uma série de coincidências, fatos semelhantes e até mesmo uma determinada música, marcou algo forte e curioso, surpreendente para nós. Sonhos rolaram de uma forma misteriosa, como as águas dos rios rolam rio a baixo, em direção ao oceano. De repente, eis que surge algo novo, como se misteriosamente o vento soprasse em nossa direção, trazendo-nos essa boa nova, que nos proporcionou nesse encontro de almas apaixonadas pela vida, com sede de amar, almejando uma revolução interior, como uma lapidação de um diamante, um renascimento, algo que nos tornasse pessoas melhores cada vez mais e mais. O amor fazendo história e marcando vidas.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

UM EGOCÊNTRICO QUE TINHA CARISMA

O nascimento do Rafael, foi comemorado com muita alegria, principalmente por parte do seu avô, que fez questão de demonstrar não só alegria, como satisfação e muita expectativa naquela criança que acabava de chegar ao mundo. Tão pequenininho e nas palavras do avô já era vitorioso. Segundo ele, aquele serzinho havia nascido para brilhar. Um amor tão grande que mal cabia no peito, seu coração tornou-se pequeno com a dimensão daquele sentimento. Não demorou para aquela criança, na sua inocência, perceber o tanto quanto era amado, pelo entusiasmo e o carinho a ele dedicado, passou a trocar o berço pelo colo. Seus pais tiveram mais dois filhos, Pedro e Isabela que também receberam o amor e carinho dos avôs. O Pedro tinha muita dor de ouvidos e necessitava de cuidados médicos constantes, nada tão grave mas que necessitava de cuidados dobrados dos seus pais, um motivo a mais para o avô se aproximar um pouco mais do Rafael, assim ele sentiria acolhido e os deixavam cuidar do irmãozinho. Quando a Isabela nasceu, por ser uma menina, ele ficou cheio de alegria, relembrou o nascimento da sua tão amada filha. Todos sabiam da sua preferência por meninas. Mas nunca deixou o Rafael de lado, para ele, o Rafael ainda era o favorito, a criança mais linda e mais especial do mundo, seu neto preferido. O Rafael crescia e a admiração do avô aumentava. Nos passeios que faziam juntos, nos ônibus e nos lugares onde eles chegavam, eram notados, o menino esperto e falante chamava a atenção de todos. Muitos elogios eram feitos, deixando o avô Antônio mais e mais encantado e orgulhoso. O tempo foi passando, chegou o momento de colocá-lo na pré-escola e em seguida, à Escola e passou a cursar a primeira série. Um momento tão bonito e esperado para os pais e avô. Foi nessa época que os professores e pais perceberam que o Rafael era canhoto, mas para o avô era um defeito grave, aquilo não poderia acontecer com o seu neto predileto, tentou mudar isso. A sua mãe não aprovava a atitude do seu pai em querer obrigá-lo a usar a mão direita, tentou interver e obteve a seguinte resposta, tu não sabes de nada, essa mão é mão de merda, não aceito e ele vai usar a mão certa. Era difícil dialogar com seu pai, ele tinha sua opinião formada, não havia como mudá-lo. Que fazer naquela situação? Ele o amava de uma forma grandiosa, mas acabou sendo um motivo de preocupação para a mãe do Rafael. Quanto a isso não fez nada para impedir, por receio de ofendê-lo. Outro fato aconteceu. Sua madrinha deu-lhe de presente, um Mickey, o Rafael passou a dormir agarradinho com o brinquedo e não largava. O avô Antônio ficou irritado com aquilo, como um menino homem brincar com aquele brinquedo de mulher, ele era macho e tinha que brincar com brinquedo de macho, jogou fora o brinquedo tão querido. O Rafael chorou muito, mas logo se convenceu que o seu avô tinha razão, ele sabia o que era melhor pra ele, certamente aquilo não era bom e compreendeu a atitude do avô. Para Ana, seu pai era um homem correto, íntegro e apesar dos tempos serem outros, não via motivos para preocupação, apesar de não concordar com uma série de atitudes. O Sr. Antônio fazia questão de levar e buscá-lo na Escola. Ele deixava claro, se apanhar na Escola, apanhará em casa também. Assim o Rafael apanhou muito por lá e bateu também e ficou por isso mesmo. Um certo dia, sua mãe recebeu uma vizinha, que vendia produtos do Avon etc, o Rafael e o Pedro disfarçadamente induziram o cachorro a morder a senhora. O cachorro não era de latir, mas bastava um sinal para se aproximar silenciosamente e morder, quando a senhora menos esperava, recebeu uma mordida no bumbum ficando as marcas dos dentes naquela senhora. O cachorro era vacinado, mas foi uma situação constrangedora. Sua mãe ficou brava com os meninos e disse-lhes, quando a Dona Adalgisa for embora, darei uma surra nos dois. Correram e foram contar o acontecido ao avô, na defesa dos meninos disse-lhes, se ela bater em vocês, eu baterei nela também. Claro que ele não faria isso, mas deixou claro que estava do lado deles e que estaria pronto para defendê-los. O Rafael, muito esperto, sabia que poderia contar com seu avô sempre, procurava agradá-lo e alegrá-lo mais e mais, acabava se destacando com sua simpatia e esperteza, se mostrando forte e destemido, um homenzinho. Aos 10 anos, o avô do Rafael veio a falecer, vítima de um infarto agudo do miocárdio. O mundo desabou para ele, ao ver a sua mãe aos prantos, sofrendo. Que fazer diante aquela situação? Aquele homem que ele julgava imortal estava ali deitado imóvel para sempre. O que seria da sua vida dali para frente? A quem ele iria recorrer nas suas dores de barriga e nos probleminhas na Escola? Quantas e quantas vezes para deixar o vovô contente, tomava chá de boldo como se tivesse tomando um delicioso suco. O seu avô dizia aos quatro cantos, que essa criança teria um futuro brilhante e que se destacaria entre todos os outros netos. Deu-lhe asas para voar e acreditar que era possível sim, contava com o apoio dele ali ao seu lado, incentivando-o o tempo todo e mostrando-lhe o que só ele parecia enxergar. Sentiu-se perdido sem saber qual direção a seguir. Sentiu-se como se tivesse com suas asas quebradas, terrivelmente machucadas, impedindo-lhe de levantar vôo. Como não chorar numa situação daquela? Seu avô dizia que homem não chorava, que tinha que ser forte sempre. Como seria dali pra frente sem o seu amado avô, seu herói. Ele necessitava de colo, mas diante aquela situação, sua mãe também se encontrava fragilizada e sofrida com a perda tão sofrida do seu pai querido. Algo mudou na vida do Rafael, ele passou a ser estabanado, não fazia nada com atenção, se tropeçava nos móveis e estava sempre sofrendo pequenos acidentes. Já não prestava atenção nas aulas e não cumpria os deveres de casa. Nas reuniões de pais, as notícias não eram das melhores, estava sempre envolvido em brincadeiras e tinha um comportamento estranho, ficava horas e horas com olhar fixo e perdido em pensamentos distantes. Preocupada sua mãe resolveu levá-lo ao psiquiatra para posteriormente ser encaminhado ao psicólogo. Mãe é mãe e ela percebeu que aquela criança necessitava de ajuda de um profissional. Mas o pai dizia ser médico de doido, fazia críticas e por essa razão não foi possível continuar com o tratamento. O Rafael era rebelde, tinha um comportamento agressivo, parecia revoltado. Sua mãe não compreendia as razões e lamentava por ele não ter dado continuidade ao tratamento com o psicólogo. Atualmente a Ana é viúva e vive com os seus três filhos. O Pedro casou-se e tem um filhinho, sempre foi um bom filho e nunca deu-lhe maiores preocupações. O Rafael embora não tenha se casado, tem uma filhinha e outra filha está por vir. Ambas de mães diferentes. É muito difícil a convivência com o Rafael, ele não tem vícios, trabalha, mas tem um gênio forte. Passou a ser constante as brigas dele com a mãe, ela não concorda com o seu jeito irresponsável de agir com as mulheres que ele se relaciona. Palavras duras ditas de ambas as partes, acarretou uma crise entre mãe e filho. A Ana não compreendia por ele ser tão diferente dos outros dois filhos. Ele é individualista, detesta compartilhar algo da sua vida com os outros, depende dos outros e não aceita opiniões de ninguém. Vive como se não precisasse de ninguém. Dessa vida, nada levamos, só fará diferença as boas atitudes, os gestos de humanidade, humildade e solidariedade, saber viver em grupo, ajudando e sendo ajudado, sem querer receber nada de volta, o retorno vem de Deus. Se todos fizessem um pouquinho em benefício dos outros, com certeza, esse mundo seria bem melhor. Não gosta de dar nada a ninguém e muito menos emprestar. A Isabela sempre foi uma ótima filha, nunca deu trabalhos aos seus pais. Sempre responsável com os deveres escolares e em todos os aspectos, agiu com moderação, cautela e muito respeito. Pedro e a Isabela sempre tiveram um comportamento exemplar, dispensando qualquer preocupação. O Pedro preocupado com aquela situação, sentiu-se tocado a ajudar seu irmão. Na opinião dele, agiu como cristão e fazendo jus a sua religião católica apostólica romana, fazer algo concreto numa demonstração de amor e fé ao Cristo ressuscitado, presente entre nós. Resolveu contar um segredo que guardava durante muito tempo. Talvez estivesse aí a razão daquele comportamento estranho. Quem sabe, uma forma de ajuda-lo a enfrentar essas possíveis traumas do passado. Com riqueza de detalhes, revelou que o seu irmão havia sofrido abuso sexual dentro da própria casa, por pessoas que trabalhavam ali e acima de quaisquer suspeitas. Uma história de vida inusitada e complexa. Um assunto polêmico, onde as vítimas foram crianças inocentes e indefesas, que se calaram diante a dor, por puro medo. Essas pessoas agiram com crueldade e maldade, se passavam por pessoas de bem. Lamentavelmente saíram ilesas, vivem como se nada tivesse acontecido, não há como provar nada, se passaram muitos anos, aquelas crianças hoje são adultas. Ao saber de tamanha monstruosidade, a mãe sentiu-se como se uma faça atravessasse seu peito, foi tomada por uma dor imensa que tomou conta daquela mulher, não conteve as lágrimas, sentimento de culpa e revolta tomaram conta dela. Há muita gente ruim, maníacos entre nós, são especialistas em disfarces. Que esse caso, sirva de alerta para os pais e responsáveis, para não cometerem os mesmos erros. Todo cuidado é pouco, conversem com seus filhos e esclareçam a eles, que seja qual for o problema, devem falar para seus pais. Os professores haviam alertado do seu comportamento estranho e distante e solicitaram aos pais, que ficassem atentos, poderia está acontecendo algo muito sério com ele. No primeiro instante, ela começou a observá-lo, para ver se havia ou não a possibilidade de haver uso de drogas, mas com o tempo, descartou essa possibilidade. A Ana, sempre foi uma mãe presente, embora trabalhasse fora, procurava desempenhar o seu papel de mãe da melhor maneira possível. Nunca se passou pela sua cabeça, que aquelas pessoas tão boas e prestativas seriam capazes de tal ato. O Rafael, hoje é um bom moço, não tem vícios, mas alguma coisa nele necessitava melhorar, é um ser egocêntrico, parece que vive num mundo só dele, muitas vezes pisa nas pessoas sem perceber. Gosta de tudo organizado mas está sempre promovendo desordens, tem um carisma imenso, geralmente as pessoas se encantam com seu jeito de ser, fazem coisas por ele que normalmente não fariam por qualquer outra pessoa, sem querer nada em troca, mas ele acaba abusando dessas gentilezas, achando que essas pessoas têm obrigações. Ele reconhece seus erros e até lamenta pelas palavras ditas em momentos de raiva, mas acaba cometendo os mesmos erros sempre. As vezes ele quer abraçar o mundo e sente-se impotente devido suas próprias condições financeiras, mas apesar de ter potencial, não consegue transmitir segurança e firmeza. Sonha muito, mas desanima no meio do caminho. Quando um problema o atinge para valer, as dores de estômago aumentam, gastrites e dores de cabeça, se fecha dentro de si e parece que sente medo até da sua sombra. Para seus dois irmãos, Pedro e Isabela, o Rafael sempre recebeu a melhor parte de tudo, seus pais sem perceberem, agiam dessa forma e no entanto, nenhum dos dois cresceram com essa carência. A Isabela acha que o Rafael sempre foi o mais protegido e que não havia motivo aparente para ele agir com desequilíbrio. Ele poderia estar morrendo de fome, não teria disposição de ir à cozinha preparar algo, e mesmo estando pronto, não coloca no prato a comida. É muito dependente, parece preguiça, mas quando resolve tentar, quebra prato e derrubava panelas. Para ele, assumir um relacionamento publicamente, fazer declarações de amor, seria tarefa impossível. Deixa transparecer, a situação de estar com uma na intenção de outra, essa é a impressão que ele passa para todos, instabilidade constante. Diante tudo isso, o que fazer? Como poderemos ajudá-lo?

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

EM BUSCA DE DISCERNIMENTO, ENCONTREI A LUZ

Meados do ano de 1992, estava arrumando a minha casa, num determinado momento, tive uma espécie de tontura, me apoiei na vassoura para não cair, uma voz soprou aos meus ouvidos, que dizia o seguinte: “.... Não compreendi o ano, só ficou claro o número cinco, você vai passar por uma situação gravíssima e delicada, sua vida irá se passar por fio, um sofrimento grande, quando tudo parecer que será o fim, vencerá após muita luta.” Fiquei perturbada, não conseguia compreender aquilo, mas resolvi tocar a minha vida. Em 1991 havia perdido o meu pai, meu herói e não tinha sido nada fácil, quase entrei em profunda depressão e fui resgatada pela Nossa Senhora Aparecida. Tempos depois, surgiu uma verruga na parte externa da vagina. Fui ao médico e imediatamente marcaram uma cirurgia para remover a tal verruga que foi levada para análises. Ao retornar a consulta, notei uma certa preocupação por parte dos médicos, inclusive me disseram que uma junta médica iria me acompanhar por cinco anos. Ao sair do consultório, me lembrei do episódio acontecido comigo há tempos atrás e como deixaram claro o número “5”, achei que poderia ser a situação que viria. Nesses anos, bastava senti algo, uma dorzinha ou coisa parecida era comunicado imediatamente aos médicos e não tinha dificuldade alguma, sempre era atendida. Até pensei, se toda dificuldade for igual a esse, está ótimo. Nesse período, aconteceu algo muito grave comigo, mais uma vez, achei que teria chegado o momento de passar pela situação grave. Não gosto nem de me lembrar. Sofri humilhação, fui massacrada e me vi num inferno pessoal, quase fui a loucura, mas passou. Após os cinco anos, recebi alta. Não havia motivos para continuar, estava ótima. Nessa época os meus filhos eram pequenos. Nada foi fácil na minha vida, mas nunca deixei me abater, sempre vivi em busca de razões para sorrir, sentir-se bem comigo mesma e com o mundo. De uma coisa estou certa, nesse mundo, as pessoas de corações bons sofrem muito mais. Digo isso por experiência própria. Quem me conhece de verdade sabe que tenho o coração bom, sei reconhecer isso, é uma qualidade da minha própria natureza. Sofri demais e muitas vezes fui vítima de comentários ridículos e maldosos, por pessoas que vivem em função da infelicidade alheia. Tudo isso passou, estou em outro estágio e dificilmente darei ouvidos aos discursos que não me agradam. Sinto-me feliz, na minha Fé em sintonia com Deus e com a minha e nossa mãe, a Virgem Maria, Nossa Senhora Aparecida. No ano de 2009, fui ao Hospital do Servidor Público, marquei uma consulta com os médicos de alergia. Estava preocupada com uns carocinhos que haviam surgido na minha pele. Fui submetida a vários testes de alergia e durante meses fui monitorada a minha alimentação e remédios. Parecia que tudo estava sobre controle, havia procurado os médicos no início do problema. Em fevereiro de 2010, tive uma crise imensa, saiu carocinhos por todo o corpo e fiquei com uma aparência péssima. Os médicos ficaram preocupados, vários tipos de exames foram solicitados, HIV, Hepatites e tantos outros exames. Os resultados foram negativos e ficaram mais e mais preocupados, não sabiam o que fazer. Passei a ser atendida uma vez por semana. Trocavam os remédios, pareciam que estavam experimentando qual seria mais adequado. As minhas mãos cheias de bolas e não tinha um lugarzinho que não fosse ferida. Na época, estava com o surto daquela doença do porco e onde íamos tínhamos que lavar as mãos com álcool ou com sabão. Imaginem o meu sofrimento. Álcool nem pensar e certos sabões muito menos. A minha imunidade estava baixa e era perigoso. Passei a ser tratada com cortisona, melhorava apenas por um ou dois dias e retornava sempre e cada vez pior. Passava noites e noites em claro, sem poder dormir, parecia que tinha vários bichinhos me picando o corpo inteiro. No dia seguinte, os lençóis estavam cheios de pedaços de peles e manchinhas de sangue. Sem contar as dores nas mãos, um sofrimento imenso. Passei a conviver com a dor, ela passou a ser minha companheira diária. Tomava remédios fortes que causavam sono profundo, vivia sonolenta. Enquanto dormia tinha a sensação de alívio, tinha pesadelos horríveis e ao acordar me deparava com a dor. Entrava ano e saia ano e eu continuava com essa tal alergia, que surgiu do nada e de uma forma que os médicos não conseguiam me dizer as possíveis razões. Biopses das mãos foram feitas. Ouvi um comentário de uma médica para a outra médica. Cada mão apresentou resultado diferente da outra. Como pode isso? Eram médicos estagiários e os comentários eram compreensíveis. No Setor de Alergia viram que não davam jeito e me aconselharam a prosseguir o tratamento na parte de Dermatologia, lá eles diziam que o meu caso era de alergia e que deveria ser tratado na parte de alergia. Era jogada de um lado para o outro e a cada dia me sentia mais fragilizada e desanimada daquela situação. Devido a enfermidade, estava sem forças e sabia que só Deus poderia me curar. Como funcionária pública, a cada cinco anos, tinha direito a 90 dias de licença-prêmio e praticamente, passei o ano de 2010 e 2011 de licença-prêmio. Não tinha condições de trabalhar no estado que se encontrava e para não comprometer a minha aposentadoria por tempo de serviço, resolvi usar as minhas licenças prêmios. Nesse período, percebi que não somos nada, que sofremos com o pouco caso das pessoas, nojo e indiferença. Embora não seja algo contagioso você percebe muita gente se afastar com medo de pegarem doença. Um certo dia, na sala de café lá na USP, estavam vários professores, funcionários e uma aluna que sempre se mostrou minha amiga, talvez estivesse ali a convite de algum professor, ao me ver entrar na sala se aproximou para me cumprimentar, ao perceber algo estranho se afastou, disse-me sem beijinhos, isso é contagioso e não quero que me pegue. Eu disse a ela, não é contagioso e ela respondeu, é sim, o porteiro do meu prédio, começou assim e depois morreu, isso vai tomar seu corpo todo. Foi horrível. Ao chegar no Departamento estava arrasada e como sempre, a minha amiga e colega Ilza me ajudou a levantar-se após o baque. Não esqueço jamais das pessoas que me prestaram solidariedades e gestos de amizade pura, sem interesse algum, simplesmente por humanidade. Outro fato que marcou muito foi, O Juscelino um dia chegou em casa irritado e muito chateado, ele disse-me que a mãe dele havia o alertado para não comer nada vindo das minhas mãos, para ele ter muito cuidado com a minha doença. Ele me acompanhava aos médicos e sabia de tudo muito bem e se fosse algo contagioso os próprios médicos eram os primeiros a alertarem. Quando o Bryan nasceu, não estava bem e no auge do problema, as mãos estavam horríveis, mas em nenhum momento a minha nora me proibiu de segurar a criança, ela se mostrou compreensiva e solidária, embora fosse seu primeiro filho, em nenhum momento notei alguma rejeição por parte dela, são simples demonstrações que me tocaram para sempre. Eu estava sensível por demais, qualquer coisa, um comentário infeliz ou até mesmo um gesto apenas me causava sofrimento, tinha mais e mais vontade de me refugiar de tudo e de todos. Em 2013 tive três perdas. O meu marido, o homem que me casei e que juntos vivemos uma história, foram vinte e cinco anos maritalmente, pai dos meus três filhos. Por razões que não convém relatar, dormíamos em camas separadas, mas mantivemos o respeito mútuo, amizade e muita consideração, um acolhendo ao outro, principalmente nos momentos mais difíceis. Tudo que fiz por ele não foram em vão e no momento que mais necessitei, ele retribuiu. Os dois irmãos que eu os amava muito, pessoas lindas e grandes corações. Isso com certeza desencadeou mais uma crise violenta, por causa da parte emocional afetada. Mais um ano difícil e eu resolvi optar pela minha aposentadoria, já que havia completado o tempo necessário e de direito. Desde fevereiro de 2014, estou aposentada e venho enfrentando altos e baixos. Finalmente, relembrei de algo que aconteceu há muitos anos atrás e hoje estou certa, de que aconteceu o que a voz me disse. Foram momentos que não desejo a ninguém, nem ao meu maior inimigo, se tivesse. Quantas e quantas noites, onde todos dormiam e eu ali sentada na cozinha, passando uma coisa e outra para aliviar as dores nas mãos. Nunca imaginei que existia dores nas mãos, não sabia onde colocá-las. Tentava me concentrar e rezar, mas era impossível e chorava de desespero. Não me envergonho de dizer, que desejei morrer e houve momentos que as minhas forças estavam acabando, não havia onde me apoiar e me esqueci que Deus esteve todo esse tempo ao meu lado, esperando pelo meu pedido de Socorro! Dei ouvidos a tanta gente e me esqueci de DEUS. Uma pessoa, que se dizia grande amiga, de longa data, se dizia preocupada com a minha situação, me disse que tinha a solução para meu problema e que eu poderia confiar nela, cansada de tudo e desejando ficar boa, me livrar daquilo que doía tanto em mim, resolvi aceitar a ajuda da Ana, ela sempre foi uma pessoa amável e de confiança. Ela me apresentou uns remédios naturais e segundo ela, seria uma limpeza e não tinha efeitos colaterais. Para começar, R$ 400, 00 (quatrocentos reais) paguei por um creme para as mãos e corpo e líquido para tomar 3 vezes ao dia. Assim que passei os cremes achei estranho, parecia deixar as mãos mais ressecadas e ásperas, no dia seguinte estava inchada. Liguei e ela me disse que era normal, que continuasse normalmente, mas fui piorando e os meus filhos me fizeram parar de usar os tais remédios. Ao saber que eu tinha deixado de usar, ela foi a minha casa e me levou até o Senhor responsável pelos remédios. Esse senhor, afirmou que não era para deixar de tomar os remédios e usar os cremes, a não ser que eu não quisesse ficar totalmente boa. A Ana me sugeriu ficar em sua casa para poder tomar os remédios e não sofrer interferências dos meus filhos, mas preferi ficar na minha casa. Foram três dias que duraram uma eternidade, fui transformada e transfigurada, não parecia eu e sim uma velha de filmes de terror. Quase morri, se tivesse insistido em continuar tomando os remédios como a Ana e tal homem pediu, hoje estaria morta. Uma inchação imensa nos olhos e no pescoço impedindo a respiração. Tenho as fotos que provam o estado que fiquei, embora tenha sido caso de polícia, deixei pra lá. Tudo isso serviu para abrir os meus olhos, pela primeira vez, durante tanto tempo, estou certa que vou ser curada, já estou sendo curada pelo Espírito Santo. Eu tenho uma religião linda e séria, desde criança sou Católica Apostólica Romana, nunca tive dúvida de que é essa religião que quero seguir até meu último suspiro aqui na terra. Já recebi tanta demonstração de amor de Nossa Senhora Aparecida, ela já esteve presente em tantos momentos da minha vida, embora eu nunca tenha dado testemunho dessas maravilhas. O pior já passou, não há problemas não poder usar esmaltes, isso é o de menos, não faz mal, seguirei as prescrições médicas, evitarei certos alimentos e remédios, outros produtos ficarei em alerta, mas a partir de agora, estou liberta e vou ser curada, com a graça de Deus. Não pensem que estou louca e pretendo abandonar as prescrições médicas, estou me referindo as feridas da alma, que durante todo tempo, cultivei ressentimentos, mágoas, revolta por achar que estava sendo punida por Deus. Vejam bem, Tudo teve início em janeiro de 2010, o ano que vem completará 5 anos e será 2015, também contém mais um cinco. Significa que está próximo do fim da minha trajetória, foi dolorosa, cheguei a pensar que não resistiria, foram momentos longos e tristes, mas me sinto bem e repleta de confiança, iluminada pelos imensos Raios do Espírito Santo, cheia de vontade de viver e gritar para o mundo inteiro, eu venci, com a Graça desse Deus maravilhoso, misericordioso, grandioso e infinitamente amoroso, o grande amor da minha vida a quem dedicarei a minha vida agora e pra sempre amém. “Maldito o homem que confia no homem e que busca apoio na carne, e cujo coração se afasta do Senhor.” Jeremias 17, 5.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

ÉRAMOS SETE IRMÃOS

Meu pai orgulhosamente dizia: Francisco meu, Zeca meu, Tonho meu, Manoelito meu, Luís meu, Helena minha e Armando meu. A família do Seu Miguel, conhecida na região de Mundo Novo, Ruy Barbosa e cidades vizinhas. Ser filho do Sr. Miguel era de uma responsabilidade imensa. Meus irmãos não podiam fazer nenhuma travessura. Filho do Seu Miguel? Nem parece ser filho do Sr. Miguel, não acredito que é filho do Sr. Miguel. Se houvesse um grupinho e um dos filhos de Miguel estivesse no meio, os comentários seriam destinados aos filhos do Sr. Miguel como os culpados. Naquela época, não compreendíamos muito bem, mas já sabíamos que o simples fato de sermos filhos do respeitado MIGUEL tinha suas vantagens e desvantagens. Ouvi muitas vezes o meu pai contar a seguinte historinha, de tanto ele contar para as pessoas, confesso-lhes ficava sem jeito, já sabia de cor e salteado: Quando minha mãe ficou grávida pela nona vez, mais uma vez cheio de esperanças e com uma vontade danada de ter uma menininha, não se conteve em fazer um propósito, uma espécie de promessa, prometeu fazer dois enxovais, um bem simples de um tecido ordinário que existia na época, “chita” e outro bem sofisticado. Se fosse menina usaria o enxoval bonito e bom, mas se fosse menino usaria o enxoval simples e doaria o outro enxoval. Coisas de Miguel, uma demonstração de simplicidade e da força imensa de uma vontade sendo realizada. Para a felicidade dele principalmente a parteira anunciou a chegada da filha tão desejada. Minha mãe era uma santa mulher, para ela pouco importava se era homem ou mulher, ela amaria do mesmo jeito, como nos amou com grandeza e sabedoria em todos os dias de sua vida. Bons tempos, coisas que foram ficando lá atrás, impossível não sentir saudades desses anos dourados, onde a simplicidade, a inocência habitavam em nosso ser e fazíamos seres completos e felizes. JEQUITIBÁ era nosso paraíso, uma época que havia fartura, água em abundância. Num dia normal de trabalho era bonito de se ver. Sempre gostei de contemplar a beleza da natureza e do corre, corre diário de cima de uma janela da minha casa. Logo cedinho o Irmão Ubaldo descia a ladeira do mosteiro para trabalhar com o Sr. Argemiro na serralheria, onde faziam lindos móveis, do outro lado Irmão Martinho com o meu tio Fidélis trabalhando com máquinas de cerrar madeiras. Meu pai comandava o MOTOR e a oficina, acordava de madrugada para fornecer a luz elétrica para os Padres rezarem. Uma serviço de muita valia para aquele lugar. Carros de boi transportando coisas, tratores e trabalhadores circulando em direção as suas funções. Vaqueiros cuidando do gado, boiadas imensas. No chafariz central muitas mulheres lavando roupas e cantarolando. Crianças e adolescentes em direção a Escola Santa Isabel e o entra e sai na pensão de Dona Juventina. Quem viveu lá ou passou por lá para estudar no Mosteiro, teve o privilégio de presenciar esse cenário incrivelmente lindo e maravilhoso. Os filhos de Miguel: Éramos sete irmãos, hoje apenas cinco. O Manoelito como chamava o meu pai e o Antônio Moreira, partiram para eternidade em 2013 e deixaram uma saudade do tamanho do mundo, foram ao encontro dos nossos pais e estão felizes por lá, creio nisso.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

UMA PALAVRINHA DE CARINHO AOS MEUS COLEGAS DE TRABALHO!

Já estou com saudades. Foram anos e anos de trabalho na FFLCH, convivendo com pessoas bacanas e amigas, uma imensa família. Estou aguardando a publicação da minha aposentadoria, sinto até um friozinho na barriga, uma sensação esquisita. Não é fácil não, para isso é necessário manter-se firme e se apegar muito com Deus, para digerir essa coisa sem causar má digestão. Estou bem gente e certa de que realmente chegou o momento de sair. Ficar mais um pouco seria como adiar mais e mais o inevitável. Agora ou mais tarde não será fácil a despedida e nesse momento é o que eu quero para mim. Não tenho planos, mas de uma coisa eu tenho certeza, estou muito bem comigo mesma. Sentirei saudades de todos, todos mesmo, sem excluir ninguém, todos foram importantes e os guardarei com um carinho enorme em meu coração.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

TANTO TEMPO SEM O MEU PAI AQUI COMIGO!

Pai! Quanta saudade de ti, uma saudade boa que vem com recordações marcantes de sua estadia entre nós, que partiu sem ao menos se despedir e deixou esse vazio imenso em nosso coração. Tristeza não combina contigo, sua alegria era contagiante, nos envolvia e continuará nos envolvendo, permanece entre nós, dando-nos coragem para lutar pela vida, determinação e muita esperança de dias melhores, onde reine a paz e o amor entre os povos nesse mundo cheio de dor. MIGUEL FRANCISCO DOS SANTOS, meu pai, meu melhor amigo, meu ídolo, meu grande amor, meu modelo de pessoa humana, a maior e mais bela demonstração do mais puro amor, uma admiração tão grande que mal cabia em meu pequeno coração. Quero prestar uma simples homenagem a esse homem maravilhoso e de uma sabedoria invejável, que marcou a minha vida para sempre e que me ensinou a cultivar o AMOR em meu coração e a preservar a serenidade e humildade com muita Fé em nosso Pai maior que está no Céu, nosso Deus misericordioso que nos acolhe e nos ama infinitamente. Hoje é aniversário de morte do meu PAI, anos se passaram, mas ele continua presente em meu coração, sinto uma saudade danada, mas permaneço firme, sei que ele de onde estiver estará nos dando forças, sinto isso agora, embora as lágrimas insistam em rolarem pelo meu rosto, expressando essa saudade do tamanho do mundo. Sabem como me chamavam na Bahia? Lena do Sr. Miguel e acontecia o mesmo com os meus irmãos, filhos de Miguel, era bom demais, sentíamos seguros e protegidos. Que saudade de ti MIGUEL! MEU BOM PAI, NOSSO AMIGO DE TODAS AS HORAS, TODOS OS MOMENTOS, UM HOMEM MARCANTE POR ONDE PASSAVA E QUE DEIXOU SAUDADES.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

DESPEDIDA - O início de uma nova era

Algo novo está por vir, uma nova era está surgindo à minha frente. Nesse momento quero reunir forças positivas, encher o meu peito do mais puro ar e ir soltando lentamente, como uma brisa a soprar suavemente numa manhã festiva de setembro, abrir os braços para o mundo, com muito calma nessa hora, deixar fluir de leve, sem pressas, digerir aos poucos, saboreando cada momento, observando tudo que está girando em volta, para não deixar passar despercebido, qualquer detalhe desse momento tão importante para minha vida, onde se fecha portas e abrem-se janelas. Partir é preciso, não posso mais ficar aqui, tenho que aprender mais essa lição, algo novo, encerrar uma etapa da minha vida e ter audácia para iniciar outra, não com a mesma coragem e vigor de quando cheguei aqui um dia, anos se passaram e é impossível permanecer com a mesma disposição da juventude, mas com certeza de que, enquanto há vida, haverá razões para sonhar, ter esperanças e sentir-se de bem com o mundo e certa de que, valerá a pena viver cada instante com a mesma alegria de outrora. Sensação esquisita, jamais experimentada antes, só quem já passou por essa situação poderá compreender o que estou sentido nesse exato momento. O ciclo da vida é o desabrochar de uma primavera cheia de encanto e beleza, onde desperta um mundo mágico, encantado e festivo entre plumas e paetês, acontece o espetáculo da vida, do viver e do amar as pequenas coisas, pequenos gestos, o querer bem e a amizade pura e desinteressada. Viver é mais que existir é poder alegrar-se com as conquistas e derrotas, dar valor a cada espaço construído e conquistado com sabedoria e cautela, valorizando cada momento como se fosse um grande e valiosíssimo tesouro, a coisa mais fantástica do mundo, tão lindo e misterioso, que muitas vezes não compreendemos de imediato, o nascer, envelhecer e o morrer, entramos em conflitos algumas vezes, pinta a insegurança ocasionando a tal depressão, coisa comum hoje em dia, mas que é preciso combater, ir a busca de soluções para as tais situações. Passei os melhores anos da minha vida aqui na USP. Anos de aprendizado e luta, no corre, corre diário, com disposição e muita esperança, se desdobrando em mil para cumprir todas às tarefas de dona de casa e as minhas obrigações de trabalho, com dedicação e responsabilidade. Pensava na aposentadoria como algo num futuro longínquo, tão distante e nunca atinara que os anos passariam tão rápido, que toda a minha juventude ficaria lá atrás num piscar de olhos. Nesse momento é como se a minha frente tivesse uma tela gigante, esporadicamente vão passando os momentos aqui passados. Foram tantos momentos, passei por inúmeras situações, boas e ruins, mas que valeu a pena, cada instante. Isso é viver e eu vivi com categoria cada segundo. Minha chegada aqui na USP se tornou histórica pelo falecimento do Diretor Prof. Eurípides. Meio assustada fui ao velório e lá fui apresentada para algumas pessoas que ali estavam. Recém-chegada da Bahia, tentando se adaptar à cidade grande, com a cabecinha cheia de sonhos e um desejo maluco de construi-los e torna-los realidade. Tempos bons que deixaram saudades, muita coisa mudou. É natural haver mudanças e serão sempre bem-vindas quando se tratam de melhorias, renovações. Sinto-me privilegiada por ter tido a graça de vivenciar tempos passados e os novos tempos com o avanço cada vez mais da tecnologia. Cada tempo tem seu encanto e cada povo vive seu momento. Que bom que há motivos dos quais devo sentir saudades, isso é sem dúvida, maravilhoso, pior seria se não tivesse do que sentir saudades. Minha vida está marcada por acontecimentos incríveis, relembro de cada passagem, daria um livro imenso, uma biografia e tanto. Muitas emoções, alguns fatos tristes, mas as maiorias foram de alegria, satisfação e muitas risadas. Obrigada gente, ficarei por perto, não se esqueçam de mim, se puderem. Tristeza não, sensação de dever cumprido. Não acumulei bens materiais, mas com certeza, me sinto feliz e de bem comigo mesma e com o mundo. O meu abraço a todos!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Homenagem ao meu querido irmão É impossível não chorar nesse momento, meu irmão! Mas ao mesmo tempo, sinto-me feliz, por ter tido o privilégio de acompanha-lo nos momentos mais difíceis de sua vida, ter te ouvido desabar as agruras da vida e saber que tinha muito sentimento e uma bondade invejável. A sua alegria era contagiante, tinha consciência da fragilidade da sua doença, mas sempre soube valorizar a vida, como um prêmio maravilhoso dado por Deus, fazia jus a sua estadia aqui na terra, com atitudes e uma enorme capacidade de amar todos que o cercava. Não foi muito bem compreendido por alguns, mas a grande parte dos que o conheceram, souberam desse seu jeito incrivelmente lindo de ser. Que coisa bonita saber do seu imenso amor pelos nossos pais, pois brigava com qualquer pessoa que fizesse qualquer comentário desfavorável pelo pai e pela mãe. Isso faz com que eu o considere especial, um ser diferenciado, que soube aproveitar cada instante de sua vida, com humanidade, respeito e muita Fé em Deus, devoção a Nossa Senhora Aparecida, a São Cosme de Damião, por ser gêmeo ... herdou .. da minha mãe essa devoção. Carregarei comigo meu irmão, as horas que você abriu seu coração e revelou coisas íntimas, que se sentiu tocado emocionalmente pela falta de sensibilidade de algumas pessoas. Meu amor, hoje você sabe que valeu a pena todo seu sofrimento, nada foi em vão e o merecimento vem das Mãos desse pai misericordioso que nos ama infinitamente. Preciso tocar a minha vida e saber amar, amar, viver como nossos pais nos ensinaram, valorizando as pequenas coisas e transformando-as em grandes, sem ódio e sem rancor, com muita fé e esperanças no coração, de dias ricos de bondade, cumprir a nossa missão que Deus nos encarregou, aguardando o reencontro eterno, onde a alegria e o amor caminharão juntos de mãos dadas. Tinho, não sei se homenageio ou agradeço pelo seu amor, por ter sido o melhor irmão do mundo, por ter deixado a minha vida mais bonita, por ter me ensinado tantas coisas, por gostar de viver, por me fazer tantos elogios sempre, mesmo sem eu os merecer, por enxugar as minhas lágrimas nos momentos tristes e por ficar feliz com simples sorriso meu. Ajuda-me superar, nunca soube lidar muito bem com perdas e eu preciso aprender para continuar vivendo, dói muito, eu sei disso, mas a vida continua e enquanto vida tiver, temos a obrigação de encontrarmos razões para sorrir, amar e sermos felizes, agradecidos pelo dom da vida e pelo amor imenso que o Pai Celestial tem por todos nós. Obrigada Meu Deus por estar comigo nesse momento, dando-me conforto, carinho e amor, pois a morte não é o fim e sim o começo de uma nova vida, muito mais bonita, mais intensa e cheia de brilhos. Que a PAZ e o AMOR de DEUS permaneçam entre nós. Amém

domingo, 3 de junho de 2012

OLHANDO PARA O CÉU EM BUSCA DE RESPOSTA

Quero entrar em sintonia com o meu “eu”, saber o que se passas lá no mais íntimo da minha alma, escutar a voz do meu coração, colocar pra fora todos os sentimentos e assim, tentar compreender melhor os conflitos que há em mim. Sinto que necessito desse espaço, um momento de reflexão, um balanço geral das minhas atitudes, em busca de forças para superar todos os obstáculos, que surgem à minha frente no dia-dia. Eu perdi algo, essa sensação de perda me perturba, preciso recobrar os sentidos para poder ter de volta, o sabor pela vida. Na minha infância e adolescência, carregava comigo uma força oculta, sentia a presença do meu anjo da guarda, que estava ao meu lado em qualquer situação, dando-me forças e transmitindo-me o mais puro amor pelas pessoas e pelo mundo. Tornei-me adulta. Cadê aquela Maria Helena, ou simplesmente Lena, filha do Sr. Miguel, conhecida por muitos, lá na nossa terra, como uma grande família, pessoas amigas ligadas por um imenso laço de amizade e respeito. Pois é, continuo aqui, não mais uma menina, uma mulher adulta, mãe e avó, mas muita coisa mudou de lá pra cá. Anos e anos se passaram, quantas coisas ficaram para trás, mas trago comigo, a certeza de que tudo nessa vida tudo passa, afinal estamos de passagem nesse mundo e vale a pena viver cada segundo como se fosse o último a ser vivido, plantando e cultivando boas sementes por onde passar. Não sou do tipo super mulher, tenho muitos defeitos e fraquezas, acho até, que vivo como um peixe fora d’água, não dá uma dentro e estou sempre sendo enganada pelas pessoas. Passei a minha vida inteira sonhando e acreditando que um dia esses sonhos tornariam realidade. Acreditei tanto e dei asas a minha imaginação, mas o tempo foi se passando e algo me dizia: calma Lena, esse dia chegará. Hoje compreendi que, havia errado em minhas buscas, no meu querer e faltou-me sabedoria para decifrar o significado dos meus sonhos reais, eles revelavam cada passo que eu deveria seguir como e onde encontrar a chave de todos os mistérios que envolvem a minha existência. Onde eu errei? Diga-me meu Deus? Não sou inteligente o suficiente para compreender tamanhos mistérios. Sinto-me confusa, tento fugir, para não admitir a minha fragilidade humana. Vem o medo mais uma vez e acabo cometendo mais e mais erros. Sinto-me perdida numa selva, com medo de ser devorada a qualquer momento por uma fera, não encontro o caminho de volta para casa, sinto frio e as lágrimas escorrem como um rio de lágrimas. Uma sensação de perda total, um caminho sem voltas, final de linha. Vejo o tempo passando velozmente e sinto que já não tenho tanto tempo disponível. No adiantado da hora, imploro por uma luz para me guiar e sair da escuridão. Quem na vida nunca se sentiu assim? Crise existencial, complexo de inferioridade, insegurança, carência ou coisa parecida? Não sou a primeira e não serei a última a sentir-se perdida e sem rumo, cheia de dúvidas e com muito mais medo da vida do que da morte. Pode ser normal, mas nunca devemos fazer desses momentos, um agouro permanente ou uma desculpa para justificar a sua insatisfação por algo que não aconteceu do jeito que você desejava. Isso mesmo, isso vale pra você também Maria Helena, não entre nessa, não seja injusta com Deus e com você mesma. Se as coisas não andam bem, vão melhorar tenha certeza disso, não perca a esperança e pense com firmeza, dias melhores virão e tudo ficará bem novamente. De volta à realidade, a vida e a capacidade de sonhar, pois a vida sem sonhos deixa de ser vida e passa a ser apenas uma existência vazia, sem dor e sem prazer, sem tristezas e nem alegrias.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

MEU TESTEMUNHO


Em 25 de julho de 1991, o meu pai faleceu vítima de um infarto agudo do miocárdio. Ele era o meu ídolo, meu herói, uma das pessoas mais importante da minha vida, admirava-o de uma forma imensa. Sempre tive um tratamento diferenciado por ser a única filha mulher no meio de seis irmãos, paparicada e cheia de cuidados. Ele era um homem especial, marcante, carismático e muito inteligente. Sempre soube a hora certa de falar e de ficar em silêncio, de agir e reagir em qualquer situação apresentada em sua vida. Cresci observando as atitudes desse homem fantástico e apaixonante e a cada dia ficava mais e mais encantada e fascinada, sem contar com as inúmeras demonstrações de amor dedicadas a mim como filha amada.
Em maio de 1991 meu pai foi ao médico, queixava-se de um caroço nas costas que lhe causava desconforto. Ao retornar estava meio chateado, haviam marcado a cirurgia para agosto, ele teria que aguardar três meses para solucionar aquele problema que tanto incomodava.
Lembro-me como hoje. Normalmente ele não era de ficar reclamando dos percalços da vida, encarava tudo de cabeça erguida e positivamente, mas nesse dia foi diferente, questionou pela demora em solucionar o problema que estava lhe afligindo naquele momento. Naquele instante, como um zumbido no ouvido, um sopro de voz, que rapidamente disse-me, ele já estará morto e fedido nessa data. Fiquei perturbada com aquilo e contestei, nem em pensamento aceitava a possibilidade de isso vir acontecer, simplesmente fugir, por não admitir por hipótese alguma. Por incrível que pareça a voz veio acompanhada de um cheiro ruim. Não tive a ousadia e nem coragem de revelar aquele episódio a ninguém, tomei como uma alucinação, algo sem fundamento.
Eu sempre vi a morte como uma inimiga e a odiei profundamente por ter levado o meu pai tão querido. Quando recebi a triste notícia fiquei fora de mim, gritava como uma louca, cair no chão num desespero total. Os meus próprios irmãos não compreenderam a minha reação e assustados taxaram-me como louca, um deles chegou a dizer que havia baixado o santo em mim. Reconheço que fui escandalosa, não estava preparada para passar tamanha dor. Dizem que quando temos um sonho ruim, temos que contar para alguém imediatamente para que não aconteça, mas por puro medo permaneci em silêncio. O sentimento de culpa quis me dominar.
Já com a minha mãe foi bem diferente. Quando tudo aconteceu, fiquei fragilizada e estive o tempo todo ao seu lado, com dedicação, carinho e muito amor. Igual a essa mulher, não existe outra no mundo, era dona de uma enorme doçura, jeitinho angelical pela beleza que faz bem aos olhos e o coração, calor humano, a bondade exalava por cada poro de sua pele. Isso não é um depoimento de uma filha, mas conhecidamente a opinião sincera de todas as pessoas que tiveram o privilégio de conhecê-la, como pessoa. Vivi um momento único, uma experiência jamais vivida antes, presenciei o momento de sua partida, entrei em sintonia com Deus e a entreguei nos braços de Nossa Senhora Aparecida, como intercessora junto ao Pai. Enquanto as lágrimas escorriam, implorava a Deus que a acolhesse em seus braços. Sofri muito, senti tal qual a perda do meu querido pai, mas não com desespero, vi a morte como uma passagem necessária, o começo e o fim de um novo ciclo de uma nova vida. Ali eu percebi que havia crescido interiormente e foi maravilhoso perceber essa mudança visivelmente.
Esse é o meu testemunho, algo que gostaria de compartilhar com o mundo, dois momentos especiais da minha vida, vividos de formas diferentes.